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Da rádio à televisão. Quem é Maria Flor Pedroso?

Da rádio à televisão. Quem é Maria Flor Pedroso?

Foi a primeira mulher a liderar a direção de informação da RTP. Maria Flor Pedrosos foi nomeada a 12 de outubro de 2018 e pouco mais de um ano depois colocou o lugar à disposição. O Conselho de Administração da RTP aceitou e pôs fim a um dos mandados mais curtos do cargo. As últimas semanas foram marcadas por uma polémica a envolver o programa "Sexta às nove", coordenado pela jornalista Sandra Felgueiras.

Maria Flor Pedroso formou-se em sociologia pela Universidade de Lisboa e começou a carreira no jornalismo, em 1984, na Rádio Comercial. Passou, em 1987, para a RFM e, no ano seguinte, fez parte da equipa fundadora da TSF. A carreira na rádio prosseguiu, em 1997, na RDP-Antena 1, na qual trabalhou como repórter parlamentar. Em 2003, foi nomeada editora de política da rádio do Estado.

Entre 2006 e 2010 destacou-se na condução e apresentação do programa "As Escolhas de Marcelo Rebelo de Sousa", na RTP1 e "Hora de Fecho", que editou a apresentou tanto na RTPN, como mais tarde na RTP Informação.

Ao do mais de 30 anos de carreira, conquistou o prémio Gazeta Rádio coletivo, em, 1988, com a reportagem Incêndio do Chiado, e o Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores, em 2015, para o Programa de Informação Televisão com "Entrevista Maria Flor Pedroso", emitido, entre 2009 e 2015, na RTP2.

Além do jornalismo, Flor Pedroso é docente na Escola de Tecnologias Inovação e Criação (ETIC) e também lecionou no Instituto Superior de Comunicação Empresarial (ISCEM), fechado compulsivamente no verão passado e que esteve no centro da polémica com Sandra Felgueiras. Mais recentemente, Flor Pedroso foi escolhida para presidir à Comissão Organizadora do 4. º Congresso de Jornalistas portugueses, que se realizou em 2017.

A polémica com o "Sexta às nove"

A saída de Flor Pedroso acontece horas antes do início de um plenário de trabalhadores na RTP. A reunião, convocada para esta tarde pelo Conselho de Redação visaria abordar o conflito entre a equipa do "Sexta às 9", coordenado pela jornalista Sandra Felgueiras, e a Diretora de Informação da televisão pública, Maria Flor Pedroso,

Em causa está um relato feito pela coordenadora do programa, em 11 de dezembro, numa reunião com o Conselho de Redação (CR) a propósito do programa sobre o lítio, em que adiantou que o "Sexta às 9" estava a investigar suspeitas de corrupção no âmbito do processo de encerramento do Instituto Superior de Comunicação Empresarial (ISCEM), que passava pelo alegado recebimento indevido de "dinheiro vivo".

Nesse âmbito, Sandra Felgueiras acusou Maria Flor Pedroso de ter transmitido informação privilegiada à visada na reportagem [diretora do ISCEM, Regina Moreira], o que a diretora de informação da RTP "rejeitou liminarmente", de acordo com as atas do CR e com a posição enviada à redação pela diretora de informação da RTP na passada sexta-feira, a que a Lusa teve acesso.

Na posição escrita sobre a "verdade dos factos", Maria Flor Pedroso garante que "nunca" informou a diretora do ISCEM sobre a investigação. Para esta segunda-feira, está agendada uma reunião do Conselho de Redação que considerou as acusações graves.

Mais de uma centena de jornalistas saem em defesa de Flor Pedroso

São mais de cem os jornalistas que assinaram um abaixo-assinado em defesa de Maria Flor Pedroso. "Confrontados com o grave ataque público à integridade profissional da jornalista Maria Flor Pedroso, os jornalistas abaixo-assinados não podem deixar de tomar posição em sua defesa, independentemente das questões internas da empresa onde é diretora de informação, que manifestamente nos ultrapassam", referem os assinantes.

No abaixo-assinado, com quatro pontos, os jornalistas - de várias redações - apontam que "Maria Flor Pedroso é jornalista há mais de 30 anos, sem mácula", uma "jornalista exemplar" e "reconhecida e respeitada pelos pares".

Os subscritores defendem que a diretora de informação da RTP "é uma das mais sérias profissionais do jornalismo português", tendo chegado "por mérito ao cargo que atualmente ocupa". Maria Flor Pedroso é "defensora irredutível do jornalismo livre, rigoroso", "sem cedências ao mediatismo, a investigações incompletas, ou à pressão de poderes de qualquer natureza", sublinham no abaixo-assinado.

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