Literatura

Morreu o escritor espanhol Javier Marías aos 70 anos

Morreu o escritor espanhol Javier Marías aos 70 anos

Nome fulcral da literatura espanhola, autor de "Berta Isla" e "Os enamoramentos", morreu este domingo, em Madrid, vítima de doença pulmonar. Tinha 70 anos. Do seu valioso legado ficam 16 romances para a História.

"A posteridade conta sempre com a vantagem de desfrutar da obra dos escritores sem o incómodo de os aturar", a frase do escritor e académico Javier Marìas parece premonitória da sua morte. O eterno candidato espanhol ao Nobel da Literatura, autor de romances como "Coração tão branco" ou "Todas as almas", faleceu, aos 70 anos, num hospital em Madrid, onde estava internado há dois meses com uma pneumonia. Antes, o escritor tinha contraído covid-19, a doença respiratória aguda provocada pelo novo coronavírus.

Marìas estreou-se como escritor aos 19 anos, com "Os domínios do lobo", e a partir daí seguiram-se 15 fulgurantes romances escritos ao longo de 50 anos. A musa aparecia-lhe de noite e aí escrevia furiosamente à máquina - que continuou a usar até aos dias de hoje.

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Quando celebrou os 50 anos de carreira disse preferir "escrever a ter um chefe e um horário rígido para cumprir" e que não pensava "viver tanto tempo". Em 1992, ganhou o Prémio da Crítica e o passaporte para o grande público, com o romance "Coração tão branco".

Obteve ainda importantes galardões da cena internacional: do Rómulo Gallegos ao prémio de Literatura Europeia, passando pelo Nelly Sachs. Só o Nobel lhe escapou, apesar de ter sido candidato variadas vezes. A sua obra está traduzida para 46 línguas e publicada em 59 países, com quase nove milhões de exemplares vendidos.

Marías foi autor de obras chave da literatura espanhola, como "Amanhã na batalha pensa em mim", "O homem sentimental" ou "Assim começa o mal". Na última década, "Os enamoramentos" ou "Berta Isla" valeram-lhe, respetivamente, o Prémio Nacional de Narrativa, que rejeitou por defender que não deveria ser o Estado a atribuir este tipo de galardões, e o Prémio da Crítica Narrativa Castelhana.

Circunstâncias especiais

No ano passado, em fevereiro, publicou "Tomás Nevison", o seu último romance. E em junho, "Será que o cozinheiro será uma boa pessoa?", onde estão reunidos 95 acutilantes artigos que escreveu para a Imprensa, a larga maioria no "El Pais ".

Javier Marías foi também prestigiado tradutor, responsável, entre outros, pela versão espanhola de "Tristram Shandy", de Laurence Sterne, e um peculiar editor na Reino de Redonda, chancela na qual publicou autores clássicos como Faulkner, Auden ou o cineasta britânico Michael Powell.

Mas, os livros não foram a sua única paixão: durante anos lecionou na Universidade Complutense, em Madrid, e também na prestigiada Universidade de Oxford.

O cenário onde cresceu era profícuo, o seu tio era o cineasta Jesús Franco e o seu pai o filósofo Julian Marìas, republicano crítico do regime franquista que se viu obrigado a lecionar em Massachussets. Aqui a família tinha como vizinho Vladimir Nabokov que Marìas admirava e acabou por traduzir.

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