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Nobel da Literatura 2020 para a poeta Louise Glück

Nobel da Literatura 2020 para a poeta Louise Glück

A poeta norte-americana Louise Glück venceu o Prémio Nobel da Literatura 2020, anunciou, esta quinta-feira, a Academia Sueca.

O júri atribuiu o galardão a Glück, de 77 anos, para assinalar a sua "voz poética inconfundível, que com beleza austera, faz universal a existência individual".

O nome da autora nascida em 1943, em Nova Iorque, não estava na lista dos principais candidatos este ano, mas Glück tem um longo percurso nas letras dos EUA. Já venceu o Prémio Pulitzer (conquistado em 1993 com a obra "The Wild Iris"), e outros galardões, como a Medalha Nacional de Artes e Humanidades.

Atualmente a viver em Cambridge, Massachussetts (EUA), é também professora de Inglês na Universidade de Yale.

Estreou-se em 1968, com "Firstborn" e publicou já doze coleções de poesia - como "The Garden" (1976), "Vita nova" (1999), "Averno" (2006) e "Faithful and Virtuous Night", a mais recente obra poética, de 2014 e que lhe valeu o prémio National Book Award, nos Estados Unidos - e alguns volumes de ensaios sobre poesia, salienta a Academia, que acrescenta ainda que Louise Glück é uma dos "poetas mais proeminentes da literatura americana contemporânea".

Glück não tem obra publicada em Portugal, mas está representada na coletânea "Rosa do Mundo - 2001 Poemas para o Futuro", da Assírio & Alvim (2001), com o poema "O Poder de Circe".

O Nobel da Literatura, envolto em diversas polémicas nos últimos anos, tem um valor superior a 900 mil euros.

Numa lista de contemplados largamente masculina, Gluck torna-se na sétima mulher a ser distinguida este século e a 16.ª, desde 1901, entre as 117 pessoas a quem foi atribuido o Nobel da Literatura

Sem cerimónia

Este ano, a atribuição do Prémio Nobel fica marcada pelo cancelamento da tradicional cerimónia presencial de entrega dos galardões, agendada para 10 de dezembro em Estocolmo (capital sueca), pela primeira vez desde 1944 (durante a Segunda Guerra Mundial).

Por causa da pandemia causada pelo novo coronavírus, a solução encontrada foi a realização de uma cerimónia quase inteiramente 'online', à exceção de uma reduzida plateia que estará no edifício da câmara de Estocolmo.

Em julho, a fundação já tinha anunciado o cancelamento do tradicional jantar de gala em honra dos laureados, que se realiza anualmente em Estocolmo, no mês de dezembro.

Anteriormente, este banquete só fora cancelado durante as duas Guerras Mundiais e nos anos de 1907, 1924 e 1956.

Anos de controvérsia

Após a controversa escolha de Bob Dylan em 2016, a Academia Sueca foi apanhada pela agitação de um escândalo sexual e de crimes financeiros que a dividiu tanto que teve de adiar a atribuição do prémio de 2018, o primeiro em mais de 70 anos.

A polémica rebentou no final de 2017 com denúncias de 18 mulheres a um diário sueco, de que teriam sido vitimas de abuso sexual por parte do artista Jean-Claude Arnault, que foi condenado no final de 2018 a dois anos e meio de prisão por violação.

Ao rebentar o escândalo, a Academia Sueca cortou relações com o artista e pediu uma auditoria, que concluiu que Arnault não influenciou decisões sobre prémios e bolsas.

Contudo, descobriu-se que Katarina Frostenson, mulher do artista e membro do comité que decidia a atribuição do Nobel da Literatura, era coproprietária do clube literário do marido, que recebia regularmente apoio financeiro da Academia Sueca, o que violava as regras de imparcialidade.

O relatório confirmou também que a confidencialidade sobre o vencedor do Nobel foi violada várias vezes.

Após várias demissões e reestruturação dos lugares de topo, em 2019, a Academia premiou o romancista austríaco Peter Handke (nesse ano o Prémio referente a 2018 foi atribuído à escritora polaca Olga Tokarczuk), o que gerou forte controvérsia, devido às conhecidas posições pró-sérvias do escritor, durante a guerra na ex-Jugoslávia, tendo, inclusivamente, levado a principal associação de vítimas do genocídio de 1995 em Srebrenica a acusá-lo de defender responsáveis por crimes de guerra e a pedir a retirada do prémio.

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