LITERATURA

O encerramento anunciado da Campo das Letras

O encerramento anunciado da Campo das Letras

A Campo das Letras vai mesmo encerrar, esgotado que foi o prazo para o aparecimento de um investidor que permitisse o aumento de capital no valor de um milhão de euros.

Jorge Araújo, accionista maioritário, confirmou, ao JN, o pedido de insolvência da editora e lamentou que os diversos contactos estabelecidos com potenciais investidores nos últimos meses não se tenham concretizado. "Se a crise afecta todos os ramos de actividade, mais complicado se torna encontrar interessados numa área de risco como é a literatura", salientou.

A dívida à Banca no valor de 700 mil euros, resultante do passivo que a Campo das Letras teve que assumir devido à falência da sua distribuidora ECL, foi o principal obstáculo ao aparecimento de investidores, apurou o JN.

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Fundada em 1994, a editora deixa no desemprego 17 funcionários e um catálogo vasto, com perto de milhar e meio de títulos, que agora será gerido pelo administrador judicial a designar. O administrador da editora espera que "o riquíssimo acervo" da empresa não seja desbaratado, para que "o público continue a ter acesso a obras relevantes da nossa literatura". "Chocado com a inércia generalizada" da sociedade civil, que assistiu ao encerramento da editora sem qualquer movimentação pública de apoio, Jorge Araújo classifica de "desastroso" o actual panorama editorial no Porto e prevê um sector "cada vez mais centralizado em Lisboa".

Aos 73 anos, Jorge Araújo considera "improvável" o envolvimento noutro projecto editorial, embora não descarte totalmente tal hipótese.

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