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Orquestra amadora de Chaves sagra-se Campeã do Mundo de sopros

Orquestra amadora de Chaves sagra-se Campeã do Mundo de sopros

Os 110 jovens músicos da Academia de Artes flaviense venceram o World Music Contest, na Holanda, na categoria mais prestigiada e receberam os parabéns do Presidente da República.

Foi uma vitória em várias frentes para a Orquestra de Sopros da Academia de Artes de Chaves, que foi a primeira banda portuguesa a ser selecionada para o concurso mais prestigiado a nível mundial, onde obteve a pontuação mais alta de sempre na categoria "Concert Division". Esta divisão é o topo de gama do festival World Music Contest (WMC) que se realiza a cada quatro anos na cidade holandesa de Kerkrade, desde 1951, para Orquestras de Sopro, Ensembles de Percussão, Brass Bands e Marching Bands.

O festival holandês - que Marcelo Almeida, o diretor executivo daquela orquestra flaviense, descreve como "o Mundial dos concursos de orquestra" - dura quatro semanas e mostra "um corte transversal" dos grupos de música de sopro, com a participação de cerca de 15 mil músicos e 200 mil pessoas no público. Por essa razão, o prémio teve um sabor intenso. "Foi uma conquista com um brilho especial", disse Marcelo Almeida ao JN, recordando o enorme investimento que foi preparar o concerto com um espetáculo multimédia sobre o tema da Estrada Nacional 2.

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Uma atuação associada a algum tipo de performance era exigência do WMC, para o qual a banda foi selecionada à conta do seu currículo de prémios internacionais: são pelo menos doze galardões, com muitas participações em festivais no estrangeiro. Desde este fim de semana, pode colocar mais este prémio na prateleira da escola, fundada há 14 anos pelos músicos Marcelo Almeida e Luciano Pereira, sendo este último o maestro do coletivo.

A atuação de 50 minutos foi uma "viagem musical pela N2", que liga Chaves a Faro, entrelaçando a música tocada em Kerkrade com projeções que incluíram a viagem pela estrada, passada de forma acelerada; imagens das paisagens captadas por drones; e ainda uma performance em palco do ilustrador flaviense António Ribeiro que desenhou, em tempo real (e enquanto era interpretada a obra "BoDEGA" de Salvador Sebastiá), as regiões vitivinícolas demarcadas que se encontram ao longo da via que atravessa o interior e Portugal.

No concerto, a Orquestra de Sopros da Academia de Artes de Chaves fez ainda a estreia mundial da obra Sinfonia n.º3 do compositor espanhol Martinez Gallego, "Aquae Flaviae", inspirada em melodias populares da região e composta expressamente para a apresentação naquele festival. Competindo com outras sete orquestras de sopros, o grupo de Chaves conquistou o primeiro lugar com 97,23 pontos, bem perto da pontuação máxima de 100 pontos.

A vitória daquela Orquestra académica, composta por estudantes com uma média de idades de 16 anos, recebeu ontem felicitações da Presidência da República - em público, na página oficial, e também com um telefonema de Marcelo Rebelo de Sousa. O presidente referiu que "a Orquestra de Sopros de Chaves é um exemplo paradigmático da importância do ensino da música e do poder agregador das academias de música, em especial no interior do país". "Este reconhecimento prova que não há sonhos impossíveis, e é por isso mesmo muito merecido e motivo de júbilo para o Presidente da República e para todos os portugueses", pode ler-se na felicitação.

A Orquestra de Sopros da Academia de Artes de Chaves foi fundada em outubro de 2008 por Luciano Pereira e Marcelo Almeida. Ambos músicos de formação, professores, e originários de Chaves, decidiram regressar à sua origem para promover um ensino de música de alta qualidade. "Na altura, não tínhamos filhos, mas víamos que os nossos sobrinhos tinham a mesma ou mais capacidade que nós e as oportunidades deles eram menores", explicou Marcelo ao JN. Ele formara-se no Porto e trabalhava nos Açores; Luciano era professor em Aveiro e no Conservatório de Gaia.

"A música podia dar aos jovens um futuro diferente", referiu o fundador da Academia de Artes de Chaves, que contava, na data da fundação, com apenas 20 músicos e hoje integra mais de uma centena. Além do recorde de prémios nacionais e internacionais, a sua Orquestra de sopros realiza temporadas anuais "com intensa atividade artística" em Portugal e no estrangeiro, tendo acompanhado alguns dos mais destacados solistas internacionais, como Florent Héau, Nuno Pinto e Jorge Almeida.

"Temos alunos a entrar nas melhores universidades da Europa com bolsas, competindo com estudantes do mundo todo", sublinhou Marcelo Almeida, assinalando que o que distingue o método da sua escola "é o trabalho". "Normalmente, as escolas trabalham em média 90 minutos por semana; nós trabalhamos um dia inteiro por semana, é todo o sábado", refere, colocando os louros nos alunos.

"Aqui em Chaves, os miúdos não têm distrações como shoppings e coisas assim; a capacidade de concentração deles é maior", assinala. Mesmo assim, há todo um "sacrifício" ao esforço voluntário. "É uma honra trabalhar com miúdos com tanto talento e capacidade de trabalho", remata este fundador da Orquestra de sopros que começou a semana - e assim passará os próximo quatro anos - como Campeã do Mundo.

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