
Rui fala sobre como o cinema tornou-se a sua grande paixão
Igor Martins
"Isto é que era cinema! Os livros podiam ser filmes e os cantores podiam ser atores", lembrou Rui Reininho. Entre suspiros, músico lembrou o tempo em que era apenas um jovem a percorrer as principais salas de cinema do Porto. Numa delas, assistiu a "Viagem ao centro da Terra", filme que apresentou, esta quinta-feira à noite, na secção "O meu primeiro filme" do Festival IndieJúnior.
Na sala do Cinema Trindade, alguns aguardavam ansiosamente para ver o filme que marcou a infância do vocalista dos GNR, outros, acompanhados pelos filhos, foram apenas relembrar uma das películas mais marcantes dos finais dos anos 50. A sessão foi antecedida por breves palavras de Reininho, que relembrou, emocionado, os primeiros filmes que assistiu com o pai. "Comecei a ir ao cinema com quatro anos com o meu pai... Foi ele que despertou em mim aquela que é a minha grande paixão: O cinema".
Num tempo sem televisão ou efeitos especiais, a "Viagem ao centro da terra", baseado no romance de Júlio Verne, foi o filme que mais emocionou Rui Reininho e que despertou o interesse pela sétima arte. "A partir desse filme o cinema passou a ser efetivamente uma arte para mim. É com ele que nasce o gosto pelo cinema", explicou Rui Reininho ao JN.
O filme foi visto no Cinema Vale Formoso, no Porto, e a partir daí, a juventude foi passada em salas como o cinema Trindade, onde o músico fazia "maratonas" cinematográficas. "A minha atividade semanal era assistir filmes. Cada filme vinha para um cinema em particular. Associo o "2001, Odisseia no espaço" ao Cinema Rivoli, já o "Dr. Jivago" vi no Coliseu", sublinhou.
Um gelado para travar emoções
É a partir da juventude que o interesse de Rui Reininho pelo cinema se torna mais vincado e também o período com as melhores recordações. "Rui, vamos lá fora comer um gelado". O vocalista dos GNR arranca sorrisos da plateia ao contar algumas das lembranças cinematográficas. Uma delas, o primeiro filme erótico que viu, "Gertrud", na companhia das primas, no Cinema São Pedro, em Águeda, quando as raparigas, constrangidas pelas imagens, acharam por bem interromper o visionamento da película para irem comer um gelado.
A paixão pelo cinema tornou-se séria a partir de uma certa idade. Rui Reininho acabou por fazer formação em cinema e foi professor de música de cinema na Universidade Católica. Mas é também na música que constatamos o quanto o gosto pela sétima arte está presente na vida do cantor. "Morte ao sol", um dos maiores êxitos dos GNR, é o nome de um dos filmes de Agatha Christie. "As minhas músicas têm muito de cinema", acrescenta Rui Reininho.
Quando se trata de cinema, Rui Reininho gosta de finais trágicos, deixando os felizes para a vida real. Enquanto viver, os filmes farão parte da sua trajetória, garante. "Esta foi uma das minhas primeiras paixões e será com certeza a última", confessa.
Esta sexta-feira, cabe ao músico Carlos Tê apresentar "O meu primeiro filme". "Os gloriosos malucos das Máquinas voadoras" pode ser visto, pelas 21.30 horas, no Cinema Trindade. A última sessão é apresentada amanhã com Ana Deus, que leva a versão Disney da "Alice no país das maravilhas".
Os bilhetes custam 4 euros (3,5 para jovens até aos 30 anos), enquanto o bilhete família custa 12 euros.
