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"Tintin no País dos Sovietes" editado a cores em Portugal

"Tintin no País dos Sovietes" editado a cores em Portugal

Edição portuguesa é a terceira fora do mercado de língua francesa.

A versão colorida de "Tintin no País dos Sovietes", agora disponibilizada em português pelas Edições ASA, foi o pretexto para uma conversa com Benoît Mouchart, diretor editorial da Casterman, há décadas a casa dos álbuns de Tiintin.

A este propósito, Mouchard relembra que "a obra de Hergé foi fundadora para a Casterman: antes de 1934, ou seja, antes do lançamento de "Os Charutos do Faraó", esta editora nunca tinha publicado banda desenhada". E sublinha: "Ainda hoje, Hergé é um emblema da nossa identidade, temos orgulho de continuar a partilhar com as novas gerações de leitores".

Primeira aventura de Tintin, "No País dos Sovietes" começou a ser publicada a 10 de janeiro de 1929, no n.º 11 do "Le Petir Vingtième", suplemento infantil do jornal belga "Le
Vingtième Siècle", tendo sido editada em álbum no ano seguinte.

Posteriormente foi considerada pelo autor um erro de juventude, nunca foi redesenhada nem colorida, ao contrário do que aconteceu com as outras aventuras de Tintin publicadas a preto e branco naquele jornal.

Assim, só seria reeditada em 1969, numa edição de tiragem limitada a 500 exemplares, distribuída entre amigos e conhecidos do autor, e, quatro anos depois, nos "Archives Hergé", que reuniam todas as versões a preto e branco das aventuras iniciais.

Dessa forma, o grande público só teve acesso à obra em 1999, setenta anos depois da sua estreia e dezasseis após a morte de Hergé, quando o álbum foi adicionado à coleção regular.

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Nesse mesmo ano, a Verbo publicou-o em Portugal, sendo que anteriormente, em 1982, tinha surgido na revista "Tintin" portuguesa. Neste momento convivem nas
livrarias a versão a preto e branco e a versão colorida, ambas das Edições ASA.

Relativamente a esta versão colorida, com uma paleta de cores diferente da utilizada por Hergé, para a distinguir dos restantes álbuns, data de 2017, e surgiu "para manter a
curiosidade em torno das suas criações", confessa Benoît Mouchart, uma vez que o autor antes de falecer "desejou que Tintin não lhe sobrevivesse" não havendo por isso novas aventuras.

Aquela ideia da Moulinsart, detentora dos direitos das obras de Hergé, "agradou à Casterman", tendo o álbum colorido sido "um dos campeões de venda de 2017"
e "reacendido o interesse por toda a série". De tal forma, que já está "em curso o projeto de colorização da primeira versão de "Os Charutos do Faraó" que verá a luz do dia em 2022".

Quatro milhões de álbuns do Tintin vendidos por ano

Lembrando que no ano do lançamento do filme "Tintin - O segredo do Licorne", a série registou "um recorde de vendas no mundo inteiro", Benoît Mouchart estima "que
anualmente sejam vendidos cerca de quatro milhões de álbuns de Tintin em todo o mundo, dos quais 600 mil em língua francesa".

Revela ainda que nos últimos vinte anos, o repórter que nunca escreveu uma linha alcançou "um grande sucesso na China e em língua inglesa, no Reino Unido, nos Estados Unidos, e em numerosos países como a Índia, que é um mercado em crescimento."

E completa: "A notoriedade de Tintin continua muito forte na Alemanha e em Espanha, territórios particularmente tintinófilos" e mesmo "em Portugal, o primeiro país a traduzir as aventuras de Tintin", em 1936, na revista "O Papagaio".

No total, foram já "traduzidas para mais de 125 idiomas e dialetos, sendo indiscutivelmente uma das bandas desenhadas mais traduzidas do mundo."

A título de curiosidade, refira-se que a edição desta versão colorida de "Tintin no País dos Sovietes", para além do mercado francófono, apenas foi autorizada nos Países Baixos (em 2017), na Dinamarca (2018) e, agora, em Portugal.

O álbum terá uma apresentação pública no próximo dia 6 de dezembro, às 18 horas, na Fundação Calouste Gulbenkian, numa mesa redonda com a participação de Guilherme de Oliveira Martins, Nuno Saraiva e Eurico de Barros, com moderação de Nuno Galopim.

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