Cultura

Tobis vendida a empresa angolana

Tobis vendida a empresa angolana

A empresa Filmdrehtsich, que comprou a Tobis, é composta na totalidade por capital angolano, acompanhado pelo Banco Atlântico, que foi encarregado pela secretaria de Estado da Cultura para organizar a alienação da empresa.

O Banco Atlântico é constituído por empresas de referência do sector público e privado angolano, como o Grupo Sonangol, Sociedade de Gestão de Ativos "GlobalPactum, SA", BCP Millennium Angola e quadros do setor financeiro, de acordo com informação disponível no seu 'site'.

A informação foi avançada hoje à agência Lusa por um dirigente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e do Audiovisual (SINTTAV).

António Caetano, que falava à Lusa no final de uma reunião com dirigentes do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), convocada por este organismo, acrescentou que o ICA esclareceu os trabalhadores que aquela empresa foi criada "especificamente" para a compra da Tobis.

De acordo com o sindicalista, os responsáveis do ICA esclareceram ainda o sindicato de que a alienação "incide apenas sobre parte da atividade da empresa, nomeadamente na área de restauro e da pós-produção digital" e que o "património edificado, documental e cinematográfico se mantém na posse da Tobis Portuguesa Sa e dos seus acionistas".

O ICA informou-nos ainda que a "ocupação dos espaços de laboração da empresa por parte do interessado se fará através de um contrato de arrendamento com a vigência de cinco anos", acrescentou António Caetano.

"Os direitos dos trabalhadores estão assegurados, nomeadamente a sua antiguidade e os salários pela nova entidade, sendo da responsabilidade do ICA, como acionista maioritário, o pagamento dos valores com as rescisões a acordar com os trabalhadores nos termos da lei", disse António Caetano à Lusa.

O processo de reestruturação da empresa - que deverá ficar apenas com metade dos atuais 55 efetivos - começa na próxima segunda-feira e prevê-se que esteja concluído até meados de Março, disse ainda o sindicalista.

Entretanto, a assembleia de acionistas marcada para sexta-feira mantém-se. Da agenda de trabalhos consta a votação e cessação de funções da presidente do conselho de administração, a dissolução da empresa e a nomeação de uma administração liquidatária com apenas um elemento nomeado pelo ICA, sublinhou o dirigente do SINTTAV.

Questionado pela Lusa sobre o destino a dar ao laboratório de película da Tobis, António Caetano disse ter sido informado pelo ICA de que serão os acionistas da Tobis Portuguesa a decidir.

"Porque o Estado necessita de acautelar a sua articulação futura com o laboratório similar, mas complementar, que existe no Arquivo Nacional de Imagens em Movimento", frisou.

Entretanto, o conselho de administração da Tobis distribuiu hoje uma nota aos trabalhadores da empresa na qual informa que "a partir da próxima segunda-feira, dia 27, serão agendadas reuniões com cada um dos colaboradores para apresentação do novo projeto", referiu o dirigente sindical.

Os trabalhadores da Tobis marcaram para sexta-feira, às 11:00, um plenário para discutirem os desenvolvimentos sobre o futuro da empresa.

Seguindo o dirigente do SINTTAV, os trabalhadores da Tobis foram informados às 14:30 de hoje pelo secretário de Estado da Cultura de que a venda da Tobis tinha ficado concluída e que o a empresa fora adquirida por uma empresa estrangeira, designada Filmdrehtsich, que é representada por um grupo de advogados.

Francisco José Viegas informou ainda os trabalhadores da mais antiga produtora de cinema em Portugal de que o acervo da Tobis ficaria para o Estado português, que o comprador só assegurava metade dos postos de trabalho e que o processo de transição será acompanhado pelo ICA, que fica obrigado a proceder ao processo de rescisão com os trabalhadores.