
Pelo segundo ano consecutivo a cooperativa Adega de Pegões foi distinguida como "Produtor do Ano" no prestigiado concurso Sélections Mondiales des Vins 2025, no Canadá. Jaime Quendera, enólogo e gerente da Adega de Pegões, explica o segredo para o sucesso de uma casa que produz vinhos de qualidade há 67 anos.
Foi o segundo prémio num espaço de duas semanas. Poucos dias depois do vinho Fontanário de Pegões Vinhas Velhas Palmela D.O.P. 2016 ter conquistado o troféu de melhor vinho português no Cathay Global Wine & Spirits Awards Asia 2025, Jaime Quendera e a sua equipa foram distinguidos como "Produtor do Ano" num dos mais importantes concursos de vinhos da América do Norte, no qual estão presentes cerca de quatro centenas de produtores de 23 países.
Estes prémios são uma das provas de sucesso da estratégia da Adega de Pegões, que passa tirar partido das características de Pegões e das suas vinhas para oferecer ao público vinhos de grande qualidade a um preço razoável. Afinal, quem mais pode dizer que tem vinhos distiguidos em concursos mundiais a 5€ numa prateleira de supermercado?
A Adega de Pegões foi pelo segundo ano consecutivo distinguida como produtor do ano, no concurso Sélections Mondiales des Vins 2025. Que balanço faz deste ano?
Está a correr bem. Estamos com crescimento, o que é positivo para o ano. O mercado, a nível mundial, encontra-se em retracção. Há mais de 60 anos que o consumo de vinho no mundo não era tão baixo. Mas felizmente, como temos uma grande relação de qualidade-preço, e temos vinhos com grande qualidade. Este prémio no Canadá não é um prémio qualquer. Somos "Produtor do Ano". Não é "produtor português", é de todos os produtores do mundo. A concurso estiveram 1.450 vinhos, 400 produtores de 23 países. Portanto, a qualidade é boa, nós estamos a crescer, apesar de pouco, como disse, mas estamos a crescer. O ano está a correr bem.
Neste momento quais são os maiores mercados da Adega de Pegões?
No top 5 diria Holanda, Polónia, Inglaterra, Canadá e Suécia. São mercados que trabalhamos há mais de 25 anos e nos quais temos uma presença sólida. Não são mercados emergentes. São mercados difíceis e competitivos. A Holanda e a Inglaterra são os mercados mais competitivos da Europa. O Canadá é um mercado difícil e com alguns monopólios. Mas apesar de serem mercados difíceis, continuamos a crescer e a vender bem. São também mercados eficientes.
Qual a perrcentagem da vossa produção destinada ao mercado português?
Nós vendemos numa média de 70% em Portugal e 30% na exportação. Este ano estamos a crescer pouco em Portugal, mas não estamos a perder. Estamos com um crescimento equiparável a 2024. Mas o crescimento maior que temos tido e que vai fazer aumentar as nossas vendas em mais de 5% este ano, será no mercado externo.
Do lado da produção, que balanço faz das vindimas?
Foi um ano extraordinário, porque foi um ano de grande qualidade, apesar de quantidade reduzida. Se compararmos a quantidade em relação a 2023, que foi um ano produtivo, é menos 20%. Mas a qualidade é muito alta, que é o que nos interessa e o que o cliente procura. E este ano foi um ano de excecional qualidade.
"Somos a terceira empresa que mais vende vinho em Portugal (segundo o último medição de mercado completa da Nielsen retalho) e somos uma das mais premiadas. Por isso, oferecemos sempre bons vinhos a bom preço. Vinhos de exceção, que são distinguidos nos maiores concursos do mundo de vinhos, mas que depois na prateleira do supermercado custam menos de 5 euros."
O que é que diferencia os vinhos de Pegões?
Aqui em Pegões, sul de Portugal, temos calor, sol, e há maturação. Maturação equivale a vinho maduro. Mas além disso, estamos perto do mar. As nossas vinhas estão entre 10 a 30 quilómetros do mar, em solos de areia pobre ricos em água. O que acontece é que quando há maturação, no verão, de julho a setembro, faz calor em Pegões, mas não é excessivamente quente porque estamos perto do mar e há sempre uma brisa marítima que refresca as vinhas. E como há água no solo, a maturação é homogénea. Daí que os nossos vinhos sejam maduros, mas ao mesmo tempo são vinhos com alguma frescura. E é isso que diferencia os vinhos de Pegões.

Este ano a Adega e os vinhos de Pegões ganharam vários concursos, com várias medalhas, o que totaliza cerca de 150 prémios só este ano. Quais são, para si, os vinhos de exceção de Pegões?
Nós procuramos ter sempre vários. Dou o exemplo do Fontanário de Vinhas Velhas, que foi eleito o melhor vinho português na Ásia (Cathay Global Wine & Spirits Awards Asia 2025), ou o Adega de Pegões Grande Reserva, que são vinhos de topo, em qualquer parte do mundo. Mas, ao mesmo tempo, temos vinhos de preço acessível, como é o Papo Amarelo Reserva Branco, ou o Vinhas de Pegões Barricas Novas, que são vinhos que são distinguidos com "Grande Ouro" e outros prémios, e que custam menos de 5 euros, o que é incrível. É essa a grande diferença que nós temos: oferecer vinhos de qualidade excecional, mas a preços acessíveis. E por isso que Pegões é a maior cooperativa de Portugal. Somos a terceira empresa que mais vende vinho em Portugal (segundo o último medição de mercado completa da Nielsen retalho) e somos uma das mais premiadas. Por isso, oferecemos sempre bons vinhos a bom preço. Vinhos de exceção, que são distinguidos nos maiores concursos do mundo de vinhos, mas que depois na prateleira do supermercado custam menos de 5 euros. É essa a diferença.
Mas para conseguir esses preços deve ter algum segredo.
Em primeiro lugar, o que é que temos uma área de vinha de grande dimensão, que possibilita que seja mecanizável. E a mecanização reduz custos. Ou seja, nós produzimos uvas de qualidade, mas com menos custos, porque temos terreno plano em Pegões e temos mecanização porque são áreas extensas. Essa mecanização faz parte de uma cultura de inovação que sempre fez parte da nossa história. Quando a Adega foi fundada em 1958, nas terras que eram de um grande milionário português, o José Rovisco Pais. Ele que era o dono da Cervejaria Trindade, além de outras coisas, que quando morreu, doou em segredo as herdades de Pegões aos hospitais civis de Lisboa que pertenciam ao Estado. Na altura, o Estado construiu aqui uma colónia, o Colonato de Pegões, com o intuito de dinamizar e modernizar a agricultura portuguesa. Essa modernização, essa capacidade de inovar vem já desde essa altura e tornou Pegões numa região de referência no vinho e uma Adega, que é hoje a adega cooperativa que mais vende em Portugal.
E como é que o Jaime Quendera antevê 2026 para a Adega de Pegões?
O que nós queremos é manter esta trajetória de crescimento, que as vendas continuem a crescer, e continuar a oferecer um produto de exceção a um preço acessível.
Adega de Pegões
Rua Pereira Caldas n.º 1
2985-158 Pegões Velhos
http://cooppegoes.pt/

