A experiência do antigo viajante
Nos caminhos de Santiago, muitas são as pessoas que optam por fazer o Caminho Central, o da Costa ou o do Interior. Mas o maior segredo está ainda para ser descoberto por muitos - o Caminho de Torres, onde a experiência é ímpar.
O caminho de Torres deve o seu nome ao seu mais famoso peregrino, o escritor salamantino Diego de Torres Villarroel. Não será por acaso também que, ao longo dos mais de 600km, a literatura seja também uma constante. Seja pelas paisagens serem dignas de uma obra-prima, seja por atravessar localidades afetas a vários dos maiores escritores portugueses, como Camilo Castelo Branco (Pinhel), Aquilino Ribeiro (Moimenta da Beira), Miguel Torga (Lamego) ou Gil Vicente (Guimarães).
A viagem é longa e desgastante, mas o final nunca foi tão compensador. Se está preparado para a experiência do antigo viajante, este é o caminho a trilhar.
O desafio por superar
Quem se aventurar no Caminho de Torres deve perceber que esta é uma das mais exigentes peregrinações. Durante mais de 600km, dará de caras com subidas íngremes e descidas acentuadas, bem como diversos momentos de solidão. Neste último aspeto, destaca-se o início do caminho, onde é possível passar vários dias sem qualquer contacto com vilas e outros serviços.
Durante mais de 20 dias, o esforço será imenso. Mas a recompensa será, provavelmente, de igual medida. O Caminho de Torres passa por seis catedrais e quatro sítios classificados como património mundial. Para quem procura o ancestral culto a Santiago, encontra também pequenas surpresas pelo caminho, como a mais antiga representação escultórica do apóstolo em Portugal, numa igreja de Sernancelhe.
Este é um trilho marcado por antigos viajantes e é, por isso, comum a sensação de se estar num mundo à parte, para o qual contribui igualmente o constante isolamento. O Caminho de Torres exibe paisagens arrebatadoras, muitas vezes repentinas e autênticas surpresas no caminho de quem se dispuser a fazê-lo.
A dimensão histórica
Por ser uma surpresa escondida, a dimensão histórica deste trilho continua a surpreender os seus participantes. Quer nas planícies de Salamanca, na Beira Alta portuguesa ou até nos socalcos verticais do Alto Douro podem encontrar-se antigos mosteiros e albergarias, diversas pontes medievais e modernas e, pelo caminho, diversas marcas do culto a Santiago.
Durante os quase 25 dias de percurso, muitas etapas não dispõem de albergues. Assim, os trajetos tornam-se longos e solitários, trazendo maior valor os momentos de contacto humano e de valorização das populações pelo caminho.
Fazer o Caminho de Torres é uma descoberta constante! Uma forma diferente de caminhar até Compostela!
