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Afluência na primeira semana do certame portuense muito acima da do ano passado. Livros de Ana Luísa Amaral entre os mais procurados.
O sorriso de contentamento de Francisco Reis, livreiro da Poetria, não deixa dúvidas sobre o balanço provisório da Feira do Livro do Porto. "Parece que todos os dias são fins de semana", afirma, num tom apressado, para não fazer esperar em demasia os clientes que aguardam a sua vez de pagarem os livros.
Na livraria especializada em poesia, o aumento de vendas face a 2021 situa-se em 20%, valor ainda mais significativo pelo facto de "à partida as expectativas não serem as melhores".
Segundo os números facultados pela Câmara do Porto, passaram pelos Jardins do Palácio de Cristal 82 mil pessoas ao longo da primeira semana do certame. Os números estão "muito acima" dos do ano passado e ganham um relevo adicional porque só 30 mil dizem respeito ao fim de semana, período em que o recinto fica normalmente lotado.
Na Poetria, assim como na Flâneur, os livros de Ana Luísa Amaral estão entre os mais procurados pelos visitantes. Outra tendência assinalada por muitos livreiros é a juventude da clientela, mesmo que o dinheiro disponível seja escasso. "A maior parte procura livros entre os cinco e os 10 euros", diz Rui Azevedo Ribeiro, das Edições 50kg, que destaca também a inesperada popularidade dos livros de Júlio Verne.
Mau tempo temido
Companheiro de banca, António Duarte, alfarrabista do Homem dos Livros, é mais parco no entusiasmo e prefere destacar algumas falhas organizativas que, em seu entender, impedem que o balanço seja ainda mais positivo. "Não faz sentido abrir a feira ao meio-dia se as pessoas só chegam depois do almoço. Era preferível começar nessa altura e fechar mais tarde", aponta o alfarrabista, que diz não compreender também a reduzida oferta cultural ao ar livre no recinto ou a sobreposição de eventos: "No próximo sábado à noite, por exemplo, com o concerto da Sinfónica nos Aliados, isto vai ficar às moscas".
Em todas as edições há epifenómenos de vendas de difícil explicação. Este ano, a venda de mapas está claramente em alta, alimentada pela vontade de viajar, terminados os confinamentos. "Trouxe 20 e já os vendi todos. Tive de mandar vir mais", explica Fernando Paes Moreira, do alfarrabista de Braga Angels Formula.
Satisfeitos, na sua maioria, com o desenrolar da feira até ao momento, muitos participantes temem que o mau tempo previsto para os próximos dias faça ruir todos os planos. Não só porque irá afastar a generalidade das pessoas, mas também porque poderá provocar inundações no interior dos pavilhões, como aconteceu numa das edições mais recentes.
