
O filme que é como um murro no estômago
Foto: Direitos Reserrvados
Chega esta quinta-feira às salas "A Voz de Hind Rajab", um filme que ninguém pode perder.
É um dos cinco títulos candidatos ao Óscar de Melhor Filme Internacional, numa das corridas mais cerradas dos últimos anos nesta categoria, dada a qualidade de todas as obras nomeadas. Mas "A Voz de Hind Rajab" é muito mais do que um filme, é um testemunho, e ir ver o filme à sala, a partir de hoje, é ainda um ato de solidariedade.
Hind Rajab era uma garota palestiniana de seis anos, a única sobrevivente no interior de uma viatura atingida por forças israelitas. No meio de vários elementos da sua família, mortos à sua volta, consegue telefonar para o Crescente Vermelho, o equivalente local da Cruz Vermelha, em busca de auxílio, porque o tiroteio à sua volta continuava. No entanto, apesar dos esforços na sede da instituição, devido à situação caótica que se vive no território, a ajuda nunca chegou e Hind Rajab tornar-se-ia mais uma das vítimas inocentes do interminável conflito.
Ao tomar conhecimento da história e de que a gravação das conversas entre Hind Rajab e o Crescente Vermelho estavam disponíveis, a realizadora tunisina Kaouther Ben Hania abandonou um projeto em que estava a trabalhar, obteve o consentimento da mãe de Hind Rajab para a utilização da voz da filha e produziu rapidamente "A Voa de Hind Rajab".
O filme passa-se integralmente na sede do Crescente Vermelho, onde os voluntários da instituição se mantém em contacto permanente com Hind Rajab, em busca de uma solução. Apesar de sabermos que ela nunca chegaria, a voz de Hind Rajab, e sobretudo o seu silêncio no final, atingem-nos como um murro no estômago, na nossa consciência, no nosso sentimento de impotência face a esta tragédia, aqui individual, mas que sabemos ser coletiva.
O filme já foi mostrado a congressistas norte-americanos, na Câmara dos Lordes britânica e no Parlamento Europeu e está a partir de hoje num cinema mais ou menos perto de si. Fica à sua consciência se se deve juntar aos que já o viram.
