Alphaville: a banda que transformou em hino a ansiedade da Guerra Fria regressa a Portugal

Os primeiros concertos dos Alphaville em 2026 foram na Polónia
Foto: Jan Klecinski / Direitos reservados
Os Alphaville regressam a Portugal com dois concertos marcados para 16 e 17 de outubro, no Campo Pequeno, em Lisboa, e no Multiusos de Guimarães, respetivamente.
Na primeira metade da década de 1980, com o mundo dividido em dois blocos, as pessoas viviam atormentadas com a possibilidade de um conflito nuclear entre a União Soviética e os EUA. Na música, ansiedade gerada pela possibilidade de aniquilação eminente foi o motor criativo para canções inesquecíveis, como "Forever Young", dos alemães Alphaville, que o público português vai poder ver (e ouvir) ao vivo no Multiusos de Guimarães, a 17 de outubro.
Entre o final dos anos 70 e o início da década de 80 do século passado, o medo da eclosão de uma guerra nuclear era palpável. Os jovens acreditavam que havia fortes possibilidades de, num abrir e fechar de olhos, tudo o que davam como adquirido desaparecer num cogumelo nuclear. A ansiedade gerada pelo estado de tensão entre o bloco comunista, liderado pela URSS, e o Ocidente, encabeçado pelos EUA, deu frutos nas artes. Filmes com "The Day After", de Nicholas Meyer (1983) ou músicas como "Enola Gay", dos Orchestral Manoeuvres in the Dark (1980) são exemplos deste ar do tempo. Foi deste caldo que emergiu, em 1984, "Forever Young", dos Alphaville, uma banda alemã, formada em 1981, em Berlim Ocidental, à sombra do Muro que dividia a cidade. O título da canção foi o primeiro nome da banda e haveria de se colar ao grupo para sempre.
Uma nova versão de David Guetta
"Forever Young" tornou-se num hino à efemeridade da juventude, de tal forma que foram sendo feitas novas versões ao longo dos anos. Entre as mais conhecidas estão a dos Youth Group, em 2005, e a de David Guetta com Ava Max, em 2024. A letra da canção questiona o valor da busca pela eternidade quando, na eventualidade de uma guerra nuclear, podemos todos desaparecer a qualquer instante. Não será melhor viver o presente? - É a pergunta que fica no ar. Os versos - "Hoping for the best, but expecting the worst. Are you gonna drop the bomb or not?" - deixam bem claro qual era o sentimento da juventude, na época.
Novas guerras dão sentido a uma música com mais de 40 anos
O certo é que, 41 anos depois, "Forever Young" tem 1,1 mil milhões de "streams" no Spotify, deixando claro que, num momento em que a sombra de uma guerra mundial volta a cair sobre a humanidade, a música continua a fazer sentido para os mais novos. No dia 17 de outubro, os Alphaville trazem a Guimarães "Forever Young" e outros sucessos, como "Big in Japan", outra música que a banda usou para exorcizar os fantasmas que assombravam a juventude da época.

