
público maioritariamente português e luso-americano brindou a fadista com uma ovação de pé
Lisa Soares/Global Imagens
A fadista Ana Moura reencontrou o músico norte-americano Prince em Nova Iorque, mas desta vez apenas fora de palco e à margem de um concerto na cidade, inserido na sua tournée pela América do Norte.
Após o concerto no Michael Schimmel Center for the Arts, que quase esgotou os cerca de 300 lugares disponíveis, a fadista de 32 anos mostrava-se satisfeita com a actuação no palco nova-iorquino, que partilhou com o saxofonista Tim Ries, mas também com o reencontro com a cidade.
"Todas estas parcerias têm sido super importantes para mim", disse a fadista à Lusa.
Ana Moura esteve na quarta-feira com Prince em Nova Iorque, e foram juntos a um concerto de Bjork e a vários clubes nocturnos da cidade.
Para já, afirma, não há novas colaborações em vista com o autor de "Diamonds and Pearls" ou "Purple Rain", com quem atuou em Portugal e participou em "jam sessions" nos Estados Unidos, mas afirma que a amizade com o músico tem sido musicalmente enriquecedora.
"Criámos uma amizade, e volta e meia a minha tour coincide com os sítios onde ele está no momento. Fazemos algumas jam [sessions] com ele e músicos que tocam para ele. Realmente tem sido uma experiência super enriquecedora para mim", afirma.
"Estas parcerias, mesmo que não sejam partilhadas pelo público, acabam por nos enriquecer de tal forma que a nossa forma de nos expressarmos acaba por ser modificada, porque tudo aquilo que nos enriquece acaba por transparecer na forma como nós nos manifestamos na música", adianta.
Numa altura em que está a preparar o sexto álbum, com "outras colaborações" que para já mantém em segredo, a actual tournée baseia-se nos temas mais emblemáticos dos 5 discos editados.
Depois de ter passado em 2010 em Nova Iorque para apresentar "Leva-me aos Fados", a fadista vem agora com um novo trio de músicos: Ângelo Freire na guitarra portuguesa, Pedro Soares na viola e Iuri Daniel no baixo.
"Trouxeram roupagens novas, arranjos musicais novos às músicas que gravei", disse Ana Moura.
Com um público maioritariamente português e luso-americano, que no final brindou a fadista com uma ovação de pé, Ana Moura passou por alguns dos seus temas mais conhecidos, como "Búzios" ou "Leva-me aos Fados", em que apelou com sucesso à participação dos espetadores no refrão.
"É importante para as pessoas, os estrangeiros, trazê-los para a nossa linguagem. Tento sempre fazer com que eles cantem em português para que se sintam próximos da língua", dizia a fadista no final do concerto.
No concerto de uma hora e meia, que ainda incluiu dois "encores", também houve lugar a temas populares como "Casa da Mariquinhas" ou "Fadinho Serrano".
A surpresa da noite foi a participação do saxofonista Tim Ries, com quem Ana Moura cantou dois temas do "Rolling Stones Project": "No Expectations" e, já no encore, "Brown Sugar".
A digressão norte-americana começou no dia 4 de fevereiro no Zeiterion Theatre, em New Bedford, e prossegue há hoje na Old Town School of Folk Music, em Chicago (Illinois).
Moura actua ainda, nos dias 12 e 13, em Minneapolis (Minnesota) e no dia 15 em Phoenix (Arizona).
Os últimos dois concertos da fadista são na Califórnia, actuando no dia 17 no The Broad Stage, em Los Angeles, e no dia seguinte no Zellerbach Auditorium, em Berkley.
