
Antigo ministro define livro como “uma homenagem, um reconhecimento e um ato de gratidão perante as árvores”
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Depois do lançamento de obras como “Raízes de vida”, “Um dia haverá” e “Palavras descruzadas”, António Bagão Félix escreveu “Quarenta árvores em discurso directo", obra agora apresentada em Gaia, no El Corte Inglés.
Desde jovem que António Bagão Félix conserva duas grandes paixões: a economia e a agronomia. Apesar de a sua carreira ter sido marcada essencialmente pela primeira, o mundo da botânica nunca ficou esquecido. “Nunca deixei de estudar botânica, árvores e plantas, durante 50 anos. Desde jovem estudante universitário procurei juntar a ciência económica, que decidi estudar, à ciência agronómica, que decidi namorar” - declarou ao JN.
O ex-ministro vê o seu mais recente lançamento “Quarenta árvores em discurso directo” como “uma homenagem, um reconhecimento e um ato de gratidão perante as árvores”, com as quais descreve uma relação “vibrante”.
Ao longo da obra são apresentadas 40 árvores na primeira pessoa, e o leitor passa a conhecer várias curiosidades sobre cada uma, desde o seu nome científico até à sua relação com a religião ou com a pintura. O autor classifica a escolha das árvores protagonistas como a questão “mais difícil” do processo de criação do livro, mas confessa que, apesar da renúncia a que a escolha implica, todas as árvores pelas quais optou têm “um ou dois traços em comum: primeiro, são aquelas que eu mais aprecio, embora eu goste de qualquer árvore; em segundo lugar, porque são árvores que se podem ver na cidade, árvores ornamentais”.
Já sobre o discurso direto, Bagão Félix afirma ter encarado a primeira pessoa como um modo “mais autêntico e genuíno de as árvores se apresentarem”, e como uma forma de “permitir que elas interajam umas com as outras”, de fazer com que haja uma “malha” que torne a escrita mais dinâmica do ponto de vista de quem escreve.
Relativamente a quem lê, o desejo do autor é apenas que as pessoas passem a conhecer “o nome das árvores que têm no quintal à frente de casa”, e que passem a olhar para elas de uma forma “diferente”. “As árvores falam, eu limitei-me a ‘teclar’ o que elas dizem” - afirma - “e o que elas querem através deste livro é um pedido de amizade às pessoas”.
“Quarenta árvores em discurso directo” é a primeira obra de António Bagão Félix publicada pela Porto Editora. Marta Teixeira, assessora da administração da editora, declarou ao JN que “desde sempre a nossa missão é editar este tipo de livros que nos fazem refletir, pensar e sentir no mundo ruidoso atual em que as pessoas não se permitem espaço para o silêncio”.

