
"Avatar" colosso de bilheteira: filme futurista de Cameron já fez 1,6 mil milhões de receita
afp
Nunca foi uma corrida entre arte e bilheteira, mas nunca pareceu tão óbvia a necessidade de a segunda ascender sobre a primeira. Os Globos de Ouro, 67.ª edição, estão nas mãos de quem garante público. Mas tem filmes além de pipocas? Sim, mas a maioria perdeu.
Faz sentido ser assim: "Avatar", colosso de produção que anuncia o 3D que o mundo vai consumir daqui para a frente, é o vencedor dos Globos de Ouro 67, prémios que começaram na alçada da crítica estrangeira em Hollywood e hoje estão basicamente no bolso de quem sabe engrossar bilheteiras. Não é caso só: a melhor comédia do ano é... a mais lucrativa do ano, "A ressaca", trip de Todd Philips sobre a imaturidade que atira adultos para a adolescência de Vegas; custou 35 milhões, já deu 277.
Quando a escolha é arte ou dinheiro, sempre assim foi: "É uma necessidade, é isso que fazemos, entretenimento de massas", disse James Cameron a abraçar os dois Globos (melhor drama e melhor realizador), 12 anos após "Titanic", ainda o mais rentável da história (1.8 mil milhões). "E depois", diz Cameron, "o 3D é o futuro".
"Avatar", fresco futurista de tema pujante (uma potência imperial da Terra invade outro planeta para lhe sacar minério; pelo caminho borrifa-se para a aniquilação de povo e cultura), é efectivamente o futuro. E os Globos, evidentemente, predizem os Oscars - como não os influenciar se oferecem 50 dias de poderoso marketing aos vencedores daqui até à magna cerimónia da indústria dos EUA (7 de Março)?
Oscars com 10 candidatos
Mas este ano há outra razão: a Academia dos Oscars vai alargar a lista de melhor filme a 10 candidatos, abrindo assim espaço proporcional para mais cinco filmes. Vão lucrar as comédias, tradicionalmente com menos fulgor do que os dramas de Hollywood quando chega a hora do aperto do voto.
E agora uma ideia absurda: e se Sandra Bullock for nomeada para um Oscar? Por que não, se teve dupla nomeação nos Globos ("A proposta" e "The blind side") e saiu de lá, aos 45 anos, com o primeiro prémio na mão? Por que não, se um já deu 300 milhões de lucro e o segundo caminha para os 200? Por que não? Por que não coroar na eternidade a congénita "Miss simpatia" mesmo que a sua expressividade não supere a de um cinematográfico ovino?
Outros actores premiados: Jeff Bridges, ovação de pé para o melhor actor dramático ("Crazy heart" sobre um 'countryman' vencido na vida); Robert Downey Jr. ("Sherlock Holmes", entretido mas sem sopro de alma), Meryl Streep (magnífica e impetuosa em "Julie & Julia", um 'fell good movie' menor); Mo'Nique (actriz secundária de "Precious"; é a mãe de Queens que abusa da filha, abusada também pelo pai); e Cristopher Waltz (actor secundário) que impõe uma tremenda força gravitacional ao seu "Sacana" e fino fascista Hans Landa.
