
Programação abre esta sexta-feira às 21 horas, com a Sinfonia n.º 7, de Bruckner, interpretada pela Orquestra Sinfónica do Porto, sob a direção de Michael Sanderling
Arquivo / Global Imagens
Rentrée Casa da Música, no Porto, inaugura esta sexta-feira o ano da programação dedicado à música austríaca, com a Sinfonia n.º 7, de Bruckner, interpretada pela Orquestra Sinfónica do Porto, sob a direção de Michael Sanderling.
A Casa da Música viverá 2018 sob o signo da música austríaca, apresentando um programa que propõe "um diálogo entre o passado remoto, o passado recente e o presente, não deixando de interpelar o futuro", como escreveu António Jorge Pacheco, diretor artístico da Casa. A abertura oficial do "Ano Áustria" será esta sexta-feira assinalado com o início de "Música no Coração", um primeiro ciclo de concertos que lança a temática que irá dominar o ano. Para nos guiar por um programa tão extenso e variado, pedimos a António Jorge que lançasse o olhar sobre os momentos incontornáveis.
A primeira refere-se já ao concerto desta sexta-feira, na Sala Suggia, às 21 horas - será a interpretação da "Sinfonia n.º 7", de Bruckner, pela Orquestra Sinfónica do Porto, com direção do maestro alemão Michael Sanderling. O espetáculo abre para uma integral das sinfonias do compositor, que serão executadas durante o ano. "São obras monumentais, meticulosas e pacientes", refere António Jorge.
Haas tocado às escuras
Também os cinco concertos para violino de Mozart, que o compositor terminou antes dos 20 anos, são destacados pelo diretor da Casa. O primeiro será interpretado a 21 de janeiro pela Orquestra Barroca e Coro Casa da Música, cabendo a direção ao prestigiado maestro inglês Paul McCreesh, que se estreia no edifício.
A contemporaneidade não poderia ser esquecida, porque a Áustria não tem apenas "o esplendor resignado de monumento morto", como escreveu um dia Vasco Pulido Valente, e continua na rota da música inovadora. Prova disso será o concerto "In vain", peça de Georg Friedrich Haas a interpretar pelo Remix Ensemble no dia 20. A obra do compositor que estará este ano em residência na Casa da Música será parcialmente executada às escuras, "o que cria dificuldades aos músicos, que não podem ler a partitura; têm de memorizá-la", explicou António Jorge Pacheco.
Músicas de todas as épocas
A iniciativa Casa Aberta tem a virtude, segundo o diretor, de "dar a ver ao grande público as partes menos visíveis do equipamento e de mostrar os processos que conduziram ao resultado final, que são os concertos".
Após o ciclo "Música no Coração", o ano segue a sua viagem pela música austríaca de todas as épocas. António Jorge assinala a interpretação de "Gurre-Lieder", de Schoenberg, pela Orquestra Sinfónica do Porto, a 24 de fevereiro. "Obra impressionante e incontornável", diz. Também a não perder será "Anton Webern: Imersão total", ciclo de quatro concertos em abril dedicados a um dos precursores do dodecafonismo como técnica de composição.
Como sugestões finais do diretor da Casa da Música ficam os nove recitais de piano que se realizam ao longo do ano, com destaque para as atuações de Ingolf Wunder, a 16 de junho; e de Alfred Brendel, a 21 de outubro.
No seu editorial à programação de 2018, António Jorge Pacheco escreveu que "os austríacos sentem-se bem em Portugal; os portugueses sentem-se bem na Áustria - talvez por praticarmos o mesmo desporto automaledicente." Um ano confortável, portanto.
