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Agnès Varda morreu, esta sexta-feira, mas deixou obra vasta e essencial para história dos cinemas francês e mundial. E fundamental para a história de Varda, mulher e cineasta que acabou por se fundir na sua própria cinematografia.
"Duas Horas na Vida de uma Mulher"
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Um "documentário subjetivo" de 1962, como o descreveu Varda, que retrata, em tempo real, duas horas da vida de uma jovem cantora, que aguarda os resultados de análises clínicas. Varda assume aqui a sua identidade de cineasta, engajada, de câmara em punho, por detrás da câmara ou guiada por ela, com o seu penteado que não mais abandonou.
"Sem Eira Nem Beira"
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Valeu-lhe o Leão de Ouro em Veneza, em 1985, e traz os sem-abrigo das margens para o centro da discussão em França. A frieza das estatísticas é o reflexo da distância social para os marginalizados, que Varda sublinha com a reconstituição da vida de uma mulher sem casa que foi encontrada morta.
"Jacquot de Nantes"
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Evoca a infância de Jaques Démy, realizador também ele fundamental, marido de Varda, que morreu em 1990. "Jacquot de Nantes", de 1991, é a história de um rapaz de Nantes que é um retrato de uma época dura em França: a década de 40.
"As praias de Agnès"
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Uma autobiografia em registo suave e nostálgico, pontilhada pelo sentido de humor que Agnès que é um meta exercício em que memória, construção e realidade se confundem, pejada de alegria mansa e saudade que se espraia pelo mar profundo e pela espuma de dias repletos..
"Olhares lugares"
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Última longa metragrem exibida de Varda, é um exercício leve de reflexão sobre a identidade, a imagem - a autoimagem - e a associação comunitária de que se fazem os lugares e as pessoas. Tem um último momento de desilusão tocante: a recusa de Godard em receber a realizadora, que viajou até sua casa para o rever. Ficou à porta.
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