
Haute & Freddy lançaram "Dance the pain away", um single infeccioso
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Synth-pop, disco, soul, funk para dançar sem parar: siga os novos singles de Phazed Groove, Dames Brown, Tame Impala, Funkatomic Radio, Bruno Mars e Haute & Freddy.
Janeiro há de ser o mês mais odioso do ano: gelado, chuvoso, deprimente, violento e pobre. Um mês criado exclusivamente para testar a paciência humana e a resistência das meias de lã. A melhor estratégia de combate a esta tragédia em que as pessoas tentam ser "as melhores versões de si mesmas", enquanto atravessam o rigor invernal e as metas absurdas que se impuseram a si próprias (como acordar às seis da manhã para beber sumo de aipo), tornando-se insuportáveis para os demais que enfrentam a sua própria meta, é dançar. Não resolve o tamanho da fatura da luz, mas anestesia.
Propomos seis canções que nada têm em comum, a não ser terem sido lançadas nas últimas semanas - e provocarem um súbito instinto de estalar os dedos e abanar o quadril. Para dar o pontapé de saída, "Dance the pain away", de Haute & Freddy, onde a dor é transformada em combustível para dançar, num gesto quase terapêutico.
Essa energia encontra eco em "I just might", de Bruno Mars, onde a vulnerabilidade surge camuflada por grooves contagiantes. Já "Dracula", dos Tame Impala, mergulha numa pista mais psicadélica e sombria, explorando a obsessão e a identidade fragmentada - basicamente o estado mental de quem já tomou três cafés e continua cansado.
Essa tensão interior contrasta com a urgência de viver o presente em "Love me now", de Funkatomic Radio, que celebra a intensidade do agora. Em "Who do you think you aAre", Dames Brown e Amp Fiddler resgatam a força do soul clássico para afirmar identidade e dignidade.
Por fim, na receita de como flutuar à beira do precipício emocional do mês, surge "Elevation", de Phazed Groove. Synth-pop, disco, soul, funk, todos misturados como num cocktail sonoro que não cura a gripe, mas proporciona minutos gloriosos.

