
Miguel Luz fez Crowdsurfing no Hard Club, no Porto
Foto: Direitos Reservados/Rui Ferreira
Miguel Luz encheu, sábado à noite, a sala maior do Hard Club com centenas de pessoas que aguardavam ansiosamente o regresso do artista aos palcos. O "Rei da Ganga" protagonizou uma noite de fortes ritmos e extensas gargalhadas.
A noite prometia ser de grandes surpresas e Miguel Luz entregou às centenas de fãs um cocktail entre o rock e o amor, não deixando faltar humor, arte que o lançou para a fama, quando tinha apenas 10 anos e produzia conteúdo humorístico no YouTube. Foi o projeto de comédia "Janela Aberta ao Vivo" a despertar o gosto pelo espetáculo ao vivo e quem encheu o Hard Club, no Porto, percebeu isso: a música foi intercalada com comédia, numa mistura de lágrimas, alegria e dança.
Nem mesmo atraso do início do concerto fez baixar a energia da multidão vestida de ganga, numa referência pouco discreta ao novo álbum do cantor, "Ganga com ganga". Luz subiu a palco e atirou-se a “Rendez-vos”, a música que ajudou a definir a direção do novo trabalho levado agora a palco na Invicta, mas também em Lisboa, no Capitólio. "Estou muito contente por estar aqui", partilhou antes de interpretar "Queres Ir Dar Uma Volta Ao Bilhar Grande?" com a guitarra elétrica, a principal mudança sonora do novo álbum e que o acompanhou no decorrer do espetáculo.
O cenário rapidamente se cobriu de verde e o look de ganga do artista foi complementado com uns óculos de sol para dar voz a “2000”. “Meti os óculos para parecer um otário nesta música, funcionou?”, perguntou o cantor num momento de cumplicidade com o público e que se repetiria a cada interlúdio bem-disposto ao longo do concerto. "Pessoas Normais", música viral na génese de uma tendência online de partilha de imagens menos óbvias do dia a dia, foi um dos sucessos da noite, numa sucessão de temas do novo disco “Bomba-relógio”, “Beco sem saída” e “Homem complicado”.
“Tocamos algumas recentes, mas agora era fixe ir a algumas ainda mais recentes, que escrevi ontem à noite”, ironizou Luz, nome pelo qual gosta de ser tratado, para dar entrada a algumas canções antigas que marcaram a carreira do artista. O "throwback" começou com “Montanha Russa”, um tema de 2022 que reflete sobre questões como a instabilidade emocional.
“Sabem o que é isto?”, questionou o artista enquanto pegava num pastel de nata que rapidamente voou na direção do público. “PASTEL DE NATA” era uma das músicas mais aguardadas da noite e levou as centenas de fãs à euforia, recebendo Miguel de braços abertos quando o cantor se deixou cair sobre o púbico. Seguiu-se "Meditação", lançado em 2021 e "MILF", o terceiro tema do álbum lançado em 2017, “CROCODILDO”, para delírio dos que acompanham o artista sintrense há mais anos.
O cantor já tinha levantado a ponta do véu ao JN, mas "Ela é do Norte" foi mesmo a surpresa da noite, uma versão adaptada da canção “Blue Suede Shoes”, de Elvis Presley. “Diz-me onde é que há francesinhas noutro canto do mundo”, foi um dos versos que causou agitação na plateia, numa música que percorre Portugal de lés a lés, destacado as tradições nortenhas.
Depois de passar por “ALGUÉM” e “COTA”, os tons de azul e o entusiasmo dos fãs abriram as hostilidades para “Amor de Ganga”. O fenómeno que ficou viral nas redes sociais em 2024, levando milhares de pessoas a publicar fotografias com alguém especial, fechou o concerto. A música mais aguardada da noite desencadeou um misto de emoções nas centenas que fãs, que sabiam a letra de fio a pavio e a gritavam euforicamente.
O tema, embora revele o lado romântico do "Rei da Ganga", é descrito como uma “não-canção-de amor”, por se inspirar na expressão “isto não é um cachimbo” de René Magritte, que questiona a ideia de a imagem de um objeto não ser o objeto em si. Um final apoteótico de um alinhamento de rock e amor, com a sala a estremecer a os fãs a pedir mais. "Obrigado, Porto", fechou a noite.
Miguel Luz vai continuar a divulgar o novo álbum já no dia 9 de maio, na Queima das Fitas do Porto, e no dia 24 de maio, na Queima das Fitas de Coimbra.
