
"Living Will" é uma criação portuguesa que há muito merecia a edição integral que a editora Polvo agora disponibilizou
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Álbum "Living Will", de André Oliveira, é uma reflexão sobre o prazo de validade da vida. Já está aí a edição integral.
Nas entrevistas que realiza no seu programa "Alta definição", uma das últimas perguntas que Daniel Oliveira coloca é: "Deve um pedido de desculpas a alguém?". Will, o protagonista de "Living Will" pensa que sim, por isso, aos 82 anos, quando o seu cão, a última recordação da esposa, morre, quer sanar erros passados.
Mas, como aprendemos no jardim de infância, "as desculpas não se pedem, evitam-se" e o que parecia um propósito bem-intencionado, vai revelar-se mais complicado e doloroso do que o expectável, pois há feridas que nunca sararam.
Publicada originalmente em sete fascículos há cerca de uma década, "Living Will" é uma criação portuguesa que há muito merecia a edição integral que a Polvo recentemente disponibilizou, complementada com uma entrevistas aos autores, caderno de esboços e um último capítulo inédito. A par de Will, vamos acompanhar também Betty Bristow, uma mediática apresentadora de TV em decadência acentuada e descobrir que a sua vida também tem segredos.
Reflexão sobre a vida e a aproximação do seu prazo de validade, desconhecido mas nem por isso menos assustador, "Living Will", com argumento de André Oliveira, obriga-nos a fazer uma reflexão sobre quem somos e o que andamos por aqui a fazer, lembrando que esta é uma viagem por uma estrada que raramente é reta, mas apresenta desvios e paragens que nos impedem de fazer tudo o que queremos. E na qual, mesmo que involuntariamente, cometemos erros e acabamos por deixar para trás e esquecer conhecidos e amigos, e mesmo por atropelar alguns deles, na nossa ânsia de sermos mais ou melhores.
Entre a doçura das memórias mais antigas e queridas e algum desencanto, para não escrever desilusão, com a súmula do que vivemos, juntamente com Will, entre a velhice e a solidão, vamos conhecer outras personagens com histórias de vida, díspares mas salientes, e perceber que nem sempre fazemos aos outros o que achamos que fazemos e as marcas que isso deixa em nós não são iguais àquelas que deixam nos outros.
Graficamente, Joana Afonso e Pedro Serpa dão vida aos intervenientes, num estilo agradável que ajuda a criar empatia com eles e contribui para o tom intimista que o argumento pede.
"Living Will"
André Oliveira, Joana Afonso e Pedro Serpa
Polvo
80 páginas
25,95€

