
"Paris calligrames" de Ulrike Ottinger
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Podem ainda ser vistas dez estreias mundiais, entre as quais seis de filmes portugueses.
Iniciada como habitualmente em outubro passado, ainda com espectadores presentes nas salas, a 18.ª edição do Doclisboa, o festival que traz à capital o melhor que se faz no género documentário um pouco por todo o mundo, ao mesmo tempo que mostra os títulos nacionais mais relevantes produzidos no último ano, foi-se desenrolando a partir daí em vários módulos online.
Agora, beneficiando da reabertura dos cinemas e das salas de espetáculo, salvaguardando todas as medidas sanitárias em curso e o recolher obrigatório, o festival encerra finalmente esta edição com a exibição de vários programas entre hoje e a próxima segunda-feira, incluindo uma dezena de filmes em estreia mundial, seis dos quais de produção nacional.
O bloco de encerramento do festival tem início hoje, pelas 16 horas, na sala da Culturgest, onde aliás se realizarão sempre as sessões, com a exibição do mais recente filme de Joana Pontes, "Visões do império". Trata-se de um filme sobre o modo como o império português e a sua história foram imaginados, documentados e publicitados a partir do registo fotográfico, desde o final do século XIX até Abril de 74.
Hoje ainda, pelas 19 horas, horário que se repetirá até domingo, poderá ser vista pela primeira vez no mundo a cópia restaurada de "Grand Opera: An historical romance", produção canadiana de 1979 assinada pelo cineasta de culto James Benning.
Amanhã será a vez da exibição de "Fé, esperança e caridade", passado em Viena nos anos do advento do nazismo e centrando-se na luta de uma jovem para sobreviver na cidade. Realizado em 1993 por Maria João Rocha, a sessão servirá de homenagem à realizadora e encenadora, falecida em outubro passado.
Promete, o fim de tarde de sexta-feira, com a estreia mundial de "Mata-Ratos ao vivo na Academia de Linda-a-Velha" de Patrick Mendes, antecedido da exibição do documentário "Enterrado na loucura - Punk em Portugal 78-88 - A segunda vaga", onde se recolhem testemunhos de algumas das principais vozes do punk português.
Para a sessão de sábado o Doclisboa reservou o que classifica como "cinco olhares sobre a memória e a distância", através de outros tantos trabalhos de jovens cineastas. Em "Da minha janela", de Pedro Cabral, procura-se o exterior. "Me more", do único não português deste grupo, o espanhol Ángel Montero, é a reminiscência de um sonho em que as vozes e os corpos se perdem e se encontram na natureza. "Cristina", de Olívia Guerra, confronta as memórias secretas escritas num diário com as imagens em super 8 de uma família aparentemente feliz. "42.ZE.66", de Eduardo Saraiva, acompanha uma camionista nas estradas internacionais com a família e os amigos a ecoar em chamadas telefónicas. Finalmente, em "Para outra maré", de Francisca Alarcão, as praias de Moledo e um pinhal lembram gestos do passado.
A sessão de domingo será composta por quatro títulos de produção nacional que, segundo a organização, "questionam a perceção da realidade". Trata-se de "Terraformar" de Ricardo Moreira, um filme que se abre nas transformações entre o material, o antrópico e o cósmico; "Praga regada" de Tomás Abreu, onde vários fenómenos nos dão a explorar paisagens urbanas; "Semear, ouvir, fluir" de Irina Oliveira, uma coprodução com Inglaterra onde o corpo se mistura com a natureza; e "Lembra-me da vida ali", que parte de encontros do realizador João Pedro Barriga com as realizadoras Catarina Mourão, Susana de Sousa Dias e Catarina Alves Costa, em busca da realidade reconstruída pelo cinema e das questões sobre a vida captada através de uma câmara.
O festival encerra na segunda-feira com uma sessão onde, além da divulgação do Prémio Fernando Lopes, para uma primeira obra portuguesa, e das novidades sobre a programação da 19.ª edição do festival, a decorrer de 21 a 31 de outubro, será exibido o filme "Paris caligrammes". Trata-se de um trabalho da cineasta e artista visual alemã Ulrike Ottinger, onde cruza as suas memórias pessoais sobre a Paris boémia da década de 1960 com o lado mais político, social e cultural desse período.
