
Vito Sanz e Itsaso Arana são o par romântico de “Volveréis – Voltareis”: após 15 anos casados, decidem separar-se e dar uma festa.
Foto: Direitos Reservados
Estreia esta quinta-feira nas salas de cinema “Volveréis – Voltareis”, novo drama do cineasta espanhol Jonás Trueba.
Histórias de amor é o que mais há no cinema – o que é natural, visto ser difícil viver sem amar e ser amado. No entanto, de tanto refletir sobre o tema, o cinema começa a não ter espaço para a novidade. “Volveréis – Voltareis”, pode afirmar-se com toda a certeza, é uma comédia romântica sem igual.
Jonás Trueba, realizador espanhol já – ou ainda – na casa dos 40 anos, tem obra feita, mas só o descobrimos por cá com o filme imediatamente anterior, “Têm de vir vê-la”, uma comédia sentimental, de escrita e feitura minimalista, e que nos revelava um cineasta rigoroso e aberto a novas formas.
Ser o seu próprio produtor também ajuda no propósito de ser diferente, e o resultado está à vista no admirável novo filme, que esta quinta-feira chega às salas de cinema portuguesas, e reclama avidamente a presença do espetador, com uma estrutura aliciante e uma espécie de “suspense” amoroso que nos agarra.
Voltando a trabalhar com Itsaso Arana e Vito Sanz, que além de atores aparecem creditados como coautores do argumento, o que indicia o regime colaborativo do cinema de Jonás Trueba, o filme centra-se num casal, composto por uma realizadora e um ator, que após 15 anos de matrimónio decidem separar-se.
No entanto, como continuam amigos, decidem organizar uma “festa de separação”, trazendo para a prática uma teoria do pai dela, numa deliciosa presença de Fernando Trueba, veterano realizador espanhol e pai de Jonás. Família e amigos ficam no entanto espantados com a ideia.
“Volveréis – Voltareis” é um drama sobre esse sentimento a que cada um dará a sua definição, mas a que todos chamam amor. E a teoria de Trueba é revolucionária: é a rotina que salva a relação a dois, e não a eterna busca da novidade. E é um filme sobre o cinema, com a sua estrutura de filme dentro do filme.
Há histórias que só mesmo no cinema? Sim, e esta é seguramente uma delas.
