Êxitos de pista de dança, metalcore e o power dos Da Weasel na última noite de Vilar de Mouros

Os Da Weasel fizeram a sua terceira incursão na mítica aldeia minhota
Rui Manuel Fonseca
A última noite do festival de Vilar de Mouros arrancou a fazer lembrar as discotecas nos anos 90, com a pista ainda vazia e o público a chegar lentamente e a bater o pé, a compasso, ao som dos Cavaliers of Fun. Mas acabou em apoteose, com Da Weasel a celebrar a terceira incursão na mítica aldeia minhota e a fazer uma viagem pelas suas três décadas de história, ao longo de mais de duas horas.
A banda foi a última do alinhamento, mas entrou a todo o gás, com um recinto cheio de gente de todas a idades. As palavras de Carlão a meio do concerto resumiram bem o que foi a noite dos "doninha": "Virgul, que power do c...!".
Foi uma festa "pesada" com músicas resgatadas do baú. "Estamos em casa, com esse toque mais rock e hardcore que os Da Weasel também têm. Estamos muito felizes por estar aqui", reconheceu Virgul. Também Carlão destacou o gosto de miúdos e graúdos pela "parte mais pesadona" do festival de Vilar de Mouros. "É engraçado ver que vêm ouvir o esperado, o 'Retratamento', que é o nosso maior hit de sempre, mas também é fixe ver que há muitos putos que não eram nascidos quando nós começámos a tocar e que vêm também pelas músicas mais pesadas", notou. O baterista da banda, Guilherme Silva (Guillaz) destacou a boa reação do público ao seu regresso aos palcos, "em crescendo desde 2022". "É uma felicidade grande ter muita gente a gostar de nós e a estar connosco ao vivo, a participar nesta festa", disse.

Foto: Rui Manuel Fonseca
E assim foi: festa total e em português a rematar mais uma edição do Vilar de Mouros.
Ao quarto e último dia, ainda com o sol alto e temperatura quente, a dança que enchia pistas no século passado chegou a Vilar de Mouros com Stereo MC"s, numa aposta nos êxitos de sempre: "Connected" [com o inconfundível refrão "aye aye aye"], "Creation", "Step It Up" e por aí fora. Se a ideia era celebrar a despedida da edição 2025 com uma última noite com sabor a verão, a dançar ritmos mais ou menos suaves, eletrónicos e tropicais, The Ting Tings ajudaram à festa. Tocaram o seu êxito maior, "That's Not My Name", mas esse foi o tema mais enérgico entre as escolhas da dupla inglesa Katie White e Jules De Martino. Desta vez, apresentaram-se com um coletivo de nove elementos em palco e o indie rock suave do seu mais recente álbum, "Home". Depois de uma apresentação que, visualmente, remetia para "o sol de Ibiza" e, musicalmente, para uma viagem ao som de Eagles ou Fleetwood Mac, o disco virou.
A banda I Prevail estreou-se em Portugal, irrompendo violentamente em palco e esmagando o sonho cálido de agosto que até ali se vivia no recinto do "woodstock português". Famílias taparam os ouvidos às crianças, perante o estrondo dos norte-americanos, incontornáveis do metalcore da atualidade. Mas o concerto explosivo também teve um momento de sensibilidade máximo, quando o vocalista, Eric Vanlerberghe, chorou em palco ao lembrar o manager da banda, que morreu num acidente de automóvel em maio deste ano.
O concerto acabou com os I Privail a sairem de palco ao som da música Drgostea Din Tei, de O-Zone (2003), o que transformou novamente o recinto numa festa típica de verão, com o público aos saltos. Para o ano há mais, de 19 a 22 de agosto. Para já, com uma banda repetente confirmada, os Triggerfinger.

