
Mostra tem também obras em Guimarães, Braga e a partir de maio em Évora
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Já se inaugurou "Zapping: Televisão como cultura e contracultura". Está patente no Centro de Arte Oliva, em São João da Madeira.
Partindo do arquivo televisivo da RTP, a exposição "Zapping: Televisão como cultura e contracultura" reúne cerca de 40 programas emblemáticos, organizados em núcleos temáticos que assinalam momentos-chave da história da emissão televisiva, e coloca-os em diálogo com obras de 28 artistas de diferentes gerações e contextos geográficos.
O confronto revela como a televisão foi simultaneamente instrumento de poder, meio de experimentação estética e espaço de resistência cultural. Artistas como Helena Almeida, Nam June Paik, Wolf Vostell, Dara Birnbaum ou Martha Rosler questionam os regimes de visibilidade, a linguagem mediática e a relação entre imagem, corpo e tecnologia, ampliando criticamente o sentido do arquivo
Organizada pelo Centro de Arte Oliva, em São João da Madeira, a mostra tem curadoria de Paula Pinto, Alexandra Areia, Joaquim Moreno e Vera Carmo e propõe uma reflexão aprofundada sobre a televisão enquanto dispositivo central da modernidade portuguesa. Longe de uma abordagem nostálgica ou meramente documental, a exposição encara a televisão como um fenómeno complexo, capaz de moldar comportamentos, sensibilidades, práticas artísticas e formas de participação política.
Pensada como um arquivo expandido e ativo, a exposição revisita a passagem da receção coletiva para o consumo doméstico, a sincronização imposta pela grelha de programação e, mais tarde, a fragmentação introduzida pelo zapping, pela gravação e pela lógica do arquivo digital. Ao longo do percurso, evidencia-se como a televisão redefiniu fronteiras entre público e privado, realidade e ficção, memória e presente.
A exposição tem também núcleos tentaculares no Centro para os Assuntos da Arte e Arquitetura, em Guimarães; no GNRation, em Braga, e a partir de maio no Museu de Arte Contemporânea, em Elvas.

