
Cinema português não tem nenhuma produção maioritária em nenhuma das principais secções do festival
Foto: AFP
Portugal com quatro coproduções, duas séries e Cléo Diara como estrela do futuro no Festival de Cinema de Berlim.
Tem início este fim de tarde, na capital alemã, a edição 76 da Berlinale, um dos três festivais de cinema mais importantes do mundo, a par de Cannes, que se segue em maio, e de Veneza, que terá lugar em setembro próximo.
Este ano, o cinema português propriamente dito está um pouco ausente, sem nenhuma produção maioritária em nenhuma das principais secções do festival. Nos anos mais recentes, o nosso cinema chegou mesmo à competição, com filmes como "Cartas de Guerra", de Ivo M. Ferreira e "Colo", de Teresa Villaverde, e "Mal Viver", de João Canijo, a vencer mesmo o Urso de Prata referente ao Prémio do Júri, na edição de 2023.
Este ano, Portugal estará presente com quatro coproduções minoritárias, duas séries no mercado que se realiza todos os anos em paralelo com o festival e ainda a presença de Cléo Diara como Shooting Star.
Este programa, organizado há mais de duas décadas pela European Film Promotion, convida todos os anos os institutos de cinema dos países da União Europeia a propor um ator ou atriz que se tenha revelado na última temporada e que seja uma estrela do futuro. Depois, um júri escolhe as dez Shooting Stars do ano. Apesar de muito competitivo, Portugal tem estado presente com regularidade, e depois de Vicente Wallenstein, será Cléo Diara a nossa estrela em Berlim, capitalizando ainda o prestigiante prémio de interpretação que recebeu em Cannes pelo seu trabalho em "O Riso e a Faca".
Na recente nova secção competitiva, Perspectives, passa a coprodução com o Brasil, "O Nosso Segredo", de Grace Passô, um drama familiar que se passa numa casa dos subúrbios onde se luta contra os traumas da perda de um dos seus. A participação portuguesa esteve a cargo da produtora Foi Bonita a Festa.
No Panorama, uma das secções mais visitadas pelo público berlinense, que enche quase sempre as principais salas onde o festival decorre, Portugal é um dos muitos países envolvidos no filme paraguaio "Narciso", através da produtora Oublaum Filmes, que teve ainda financiamento da Alemanha, Uruguai, Brasil e França. O filme aborda a história verídica de um cantor que, no final da década de 1950, difundiu o rock"n"roll num paós dominado por uma ditadura ultra conservadora e viria a ter um destino trágico..
No Forum, a Bam Bam Cinema associou-se a uma produtora colombiana para dar luz ao filme de estreia de Simón Vélez, "Piedras Preciosas", sobre um homem que trabalha nas vindimas em França, a quem é dada a missão de transportar uma esmeralda para a Colômbia. A mesma produtora portuguesa e também em associação com a Colômbia, apresenta no Forum Expanded a curta-metragem "Filme Pin", de Maria Rojas Arias e Andrés Jurado, inteiramente rodada no nosso país, e onde podemos descobrir uma coleção de pins de solidariedade e luta antifascista, no período colonial e pós-25 de Abril.
Dos 17 títulos escolhidos para o Berlinale Series Market, há duas com participação portuguesa, "Leonor, Marquesa de Alorna", que a Ukbar produziu com a espanhola Tornasol Media, e "Refúgio do Medo", coproduzida pela SPi com a islandesa Glassriver. Ambas as séries têm já estreia confirmada na RTP. Em paralelo com o festival, mas ainda sem a relação orgânica que existe em Cannes, realiza-se também uma Semana da Crítica, com dois títulos portugueses na seleção, a longa "Justa", de Teresa Villaverde, e a curta "Arguments in Favor of Love", de Gabriel Abrantes.
O festival começa esta quinta-feira com um inesperado filme de abertura, que nos chega do Afeganistão. Ou melhor, da diáspora afegã. Escrito, realizado e interpretado pela afegã radicada na Alemanha, Shahrbanoo Sadat, o filme conta a história de Naru, uma jovem operadora de imagem de uma televisão de Cabul, que tenta lutar contra os preconceitos contra a mulher, tendo ainda de criar sozinha o filho pequeno. Com o abandono das tropas americanas e a iminente chegada à capital dos talibãs, Naru terá de tomar uma decisão.
A partir de amanhã, começarão a ser exibidos os 22 filmes que concorrem ao Urso de Ouro, que será anunciado no sábado, dia 21 deste mês. Sem grandes nomes mediáticos, aberto, pois ao olhar de autores que não circulam tanto pelos grandes festivais e pelas salas de cinema de todo o mundo, a competição inclui, no entanto, nomes como os de Karim Ainouz, Leyla Bouzid, Kornel Mundruzco ou Mahamat-Saleh Haroun. Além da animação japonesa "A New Dawn", estará também na competição "Dao", de Alain Gomis, uma coprodução entre o Senegal, a França e a Guiné-Bissau.
