
Wim Wenders regressou a Cannes para exibir o seu filme "Perfect Days"
Valery Hache/AFP
Palma de Ouro é entregue neste sábado ao princípio da noite. Do dia de quinta-feira fica sobretudo a projeção dos novos filmes de Catherine Breillat e Wim Wenders.
Os últimos dias de Cannes são algo de deprimente, para quem tem passado os últimos dez dias numa correria incessante de projeções, entrevistas, conferências de imprensa e outros encontros profissionais. É que, ao percorrer a Croisette, a caminho do Palácio dos Festivais, percebe-se que uma boa parte do festival começa a ser desmontado. O Mercado já praticamente não funciona, com todos os negócios que havia para fazer a serem já concretizados, e a Semana da Crítica e a Quinzena das e dos Cineastas tiveram já as suas sessões de encerramento, sem prémios para os portugueses.
A seção Un Certain Regard segue-lhes o caminho hoje ao fim da tarde, com a exibição do novo trabalho de Alex Lutz, "Une Nuit", e a entrega dos prémios, que poderão incluir um novo reconhecimento ao trabalho de João Salaviza e Renée Nader Messora junto dos índios Krahò, "A Flor do Buriti".
A competição ainda reserva para hoje as suas duas últimas entradas, "La Chimera", da italiana Alice Rohrwacher, e "The Old Oak", o novo "último" filme do britânico Ken Loach, que poderá ser o primeiro a conquistar três Palmas de Ouro. Para confirmar, depois da projeção do filme e da entrega dos prémios, amanhã ao início da noite, antes da projeção da animação da Pixar, "Elemental", exibido fora de concurso.
Entretanto, enquanto na Quinzena nos deliciávamos com o novo filme do coreano Hong Sang-soo, "In Our Day", a competição pela Palma de Ouro apresentou os mais recentes trabalhos de Catherine Breillat e Wim Wenders.
A francesa, que já filmou em Portugal e ficou conhecida pelo sexo explícito de "Romance", continua o seu percurso de transgressão, colocando a personagem interpretada por Léa Drucker, advogada em casos de abusos de menores, numa relação amorosa entre o marido e o enteado. Apesar do excelente trabalho da sua atriZ e do olhar crítico sobre os usos e costumes de uma certa burguesia instalada francesa, o filme jã não escandaliza e deverá ficar fora do palmarés.
Quanto ao alemão, vencedor de uma das mais míticas Palmas de Ouro, com "Paris, Texas", volta ao Japão onde já filmara o literalmente delicioso documentário "Tokyo Ga" para, em "Perfect Days", acompanhar o quotidiano de um homem cujo trabalho é percorrer a capital japonesa para, com todo o rigor, meticulosidade e sentido ético, limpar as casas de banho públicas da cidade. Com a cumplicidade de Koji Yakusho, Wenders mostra-nos um homem que, por detrás do seu emprego e dos encontros que este vai ocasionando, esconde um amante da vida, dos livros e da música. É uma declaração de amor do alemão a uma cidade, um povo, uma filosofia de vida e também ao seu cinema.
