
"Pelo sim, pelo não, vou regando as plantas falsas" é o título da sessão
A poesia de Filipa Leal vai estar em destaque na edição deste mês do ciclo Quintas de Leitura, que se realiza nesta quinta-feira à noite, no Teatro do Campo Alegre, no Porto. Best Youth e Pedro Lamares são alguns dos convidados.
Filipa Leal já perdeu a conta ao número de vezes em que participou nas Quintas de Leitura, o ciclo poético que há 15 anos atrai mensalmente centenas de pessoas ao Teatro do Campo Alegre.
A sessão desta quinta-feira será, todavia, diferente das demais, ao colocar em destaque a sua obra poética em detrimento das leituras que habitualmente faz.
"Vai ser uma noite de cumplicidades", assumiu a autora ao JN, em alusão aos outros nomes que a vão acompanhar ao longo da sessão. Pedro Lamares e Susana Menezes, responsáveis pelo início da colaboração de Filipa Leal com o ciclo programado por João Gesta, vão participar nas leituras. Tal como a própria autora, que escolheu poemas oriundos dos seus nove livros e não apenas do seu mais recente, "Vem à quinta-feira".
Presente também estará Valério Romão, um dos romancistas da nova geração mais apreciados pela autora de "Talvez os lírios compreendam".
A habitual fusão entre a poesia e as outras artes vai ser assegurada nesta sessão pelo grupo pop Best Youth, mas também com uma atuação de Pedro Moura e Lara Moura, guitarristas que interpretarão Carlos Paredes, e uma performance de Bruno Machado, "Antes do agora", próxima do universo circense.
O intrigante título da sessão, "Pelo sim, pelo não, vou regando também as plantas falsas", pode até sugerir uma visão cínica da realidade, mas Filipa Leal prefere encará-lo como "um exercício de esperança", convicta de que a poesia também é feita de improbabilidades.
Publicado há poucos meses pela Assírio & Alvim, "Vem à quinta-feira" pode muito bem ser o último livro de poesia de Filipa Leal nos tempos mais próximos. Fascinada cada vez mais pelo silêncio como veículo de comunicação, a poet(is)a natural do Porto diz que "há momentos em que é preciso calarmo-nos para que possamos ouvir".
A opção não é alheia ao facto de, neste momento, Filipa Leal estar cada vez mais envolvida nos argumentos televisivos. Encontra-se a escrever uma série que deverá estar na RTP 1 em setembro e afirma-se fascinada com a possibilidade de os textos que escreve ganharem vida, ao serem interpretados por atores. "A poesia é uma experiência mais individual", defende.
Ainda assim, apesar da tentação ficcional, afirma "não ter planos" para se dedicar aos romances, tal como o fizeram outros autores da sua geração.
