
Guimarães, 19/02/2023 - COURAGE CLUB 2023 Interpol (Rui Manuel Fonseca/Global Imagens)
Rui Manuel Fonseca/Global Imagens
Cabeças de cartaz do festival Courage Club, Interpol aproveitaram a passagem por Guimarães para promover o último álbum, mas não desiludiram os fãs que queriam ouvir êxitos mais antigos.
Vinte anos depois de lançarem o primeiro álbum, "Turn On the Bright Lights", os Interpol já atingiram uma longevidade que lhes permite ter na plateia um pai e um filho jovem adulto a curtir. Na noite de sábado, num concerto com uma média de idades para cima dos 30 anos, havia vários pares destes, pai e filho a "curtir" em chão comum. A banda não os desiludiu, arrancou com "Toni", do último álbum, "The Other Side of Make-Believe", lançado no verão passado, mas logo de seguida encaixou "Evil", de "Antics", um disco de 2004.
O pai foi buscar o blusão bomber ao sótão e o filho emborcou o primeiro fino à frente do progenitor. Prometia ser uma noite que nenhum dos dois iria esquecer. A banda tinha a lição bem estudada, sabia para quem tocava e prosseguiu com "Fables", do trabalho mais recente, a que se seguiu C"mere, um single de 2005. Nas músicas mais antigas notou-se a presença dos fãs de muitos anos, aqueles que à força de tanto ouvirem decoraram as letras. Quando rolou "Pionner in to the falls", Paul Banks, experimentou deixar o público cantar e a sala não desiludiu: "You fly straight into my heart/ But here cames the fall", saiu em coro.
Os Interpol fazem uma música sem sobressaltos, como uma bomba que se anuncia que vai rebentar, mas nunca chega a explodir. E, contudo, mantêm a multidão envolvida. Em "Slow Hands", a última música antes do "encore", a guitarra de Daniel Kessler e a bateria de Greg Drudy aceleraram um pouco mais. O suficiente para a malta acabar o concerto a saltar. Mas foi só isso, o envolvimento melódico voltou logo a seguir. É como se a banda tivesse descoberto uma fórmula para encher um copo e continuar a enche-lo sem nunca o fazer transbordar.
