
"Chotto desh", multipremiada coreografia de Akram Khan, sobe este sábado à noite ao palco do Centro Cultural Vila Flor.
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O 15.° GUIdance - Festival de Dança Contemporânea termina este sábado em Guimarães. "É a nossa melhor edição de sempre", diz o diretor Rui Torrinha ao JN.
Isto é o Bangladesh, o Bangladesh da infância de Akram Khan, e é um portento de coreografia do célebre artista nacionalizado britânico: "Chotto desh", o multipremiado espetáculo de dança contemporânea que este sábado, às 21.30 horas, no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, encerra o GUIdance 2026.
Vencedora do Get Creative Family Arts Festival, no Reino Unido, a peça ilustra a vila natal (o "chotto desh" do título) de Akram Khan e as suas recordações, ainda antes de ser um imigrante no Reino Unido.
Como é habitual nas criações multimédia do coreógrafo, projeções animadas transformam o espaço: há tempestades, cidades, florestas e mares em palco. As imagens interagem com o corpo, erupcionam paredes, sombras ganham vida, criaturas imaginárias emergem e submergem, como se o cenário respirasse com os pulmões do intérprete.
"É um espetáculo com um olhar grandioso que ultrapassa modas e tendências, num tempo fragmentado e destruído, onde celebramos a longevidade", comenta Rui Torrinha, diretor do GUIdance.
O currículo de Akram Khan, de 51 anos, funde-se com as suas distinções: é detentor dos prémios Laurence Olivier, Bessie - New York Dance and Performance, Fred & Adele Astaire e, ainda, o South Bank Sky Arts. Além de nove vezes premiado pelo Critics" Circle National Dance, é também um "Distinguished Artist" da International Society for the Performing Arts, dos EUA.
Riscos, desafios, acertos
O grande auditório do Centro Cultural Vila Flor que vai acolher "Chotto desh" está invariavelmente esgotado, uma constância do GUIdance 2026.
"Esta é a nossa melhor edição de sempre em termos de afluência", revela Rui Torrinha. E, mesmo sem contar, ainda, com os participantes nas atividades paralelas e os três últimos espetáculos de sexta-feira e de sábado, "já ultrapassamos confortavelmente os 3300 bilhetes vendidos". Num ano em que o país esteve constantemente sob alerta meteorológico, "as pessoas não desistiram do poder da arte ao vivo", diz Torrinha.
2026 foi uma "edição de risco": três coproduções em estreia absoluta, uma carta-branca dada aos artistas, com aposta na diversidade etária, "de Ana Rita Xavier a Olga Roriz".
Foi ainda o ano "das edições mais diversas geograficamente", diz o diretor. "Isto não significa que vamos em busca do blockbuster, mas sim em busca de artistas que ainda nos conseguem produzir um efeito de espanto, como foi o caso de Olga Roriz", coreógrafa que continua a dançar aos 70 anos.
A vantagem da Aerowaves
Parte do sucesso na descoberta de talentos emergentes assenta no facto de o GUIdance, que é produzido por A Oficina, empresa municipal de Guimarães, ser membro da Aerowaves - uma rede de várias associações para novos nomes da dança contemporânea europeia. É neste âmbito que foi apresentada a peça albanesa "Sirens", de Ermira Goro, e, na semana passada, "Mercedes mais eu", das espanholas Janet Novas e Mercedes Péon, que estrearam no palco do Teatro Jordão.
Para comprovar o acerto da aposta na Aerowaves, Rui Torrinha exemplifica com Christos Papadopoulos: o coreógrafo grego apresentou três peças em Guimarães como figura emergente da Aerowaves e hoje é um dos nomes mais requisitados do circuito europeu da melhor dança contemporânea.

