
Javier Cercas estará no Porto
Foto: Getty Images
O escritor espanhol Javier Cercas acaba de ser confirmado na programação do Babell, o novo evento literário e cultural internacional promovido pela Fundação Livraria Lello, com o apoio da Câmara Municipal do Porto, reforçando a ambição global de um projeto que quer pensar a literatura como gesto público e coletivo. A presença de Cercas junta-se a um elenco já notável, que inclui Margaret Atwood, Salman Rushdie, Olga Tokarczuk e Byung-Chul Han, nomes que desenham desde já um dos mais relevantes encontros literários alguma vez realizados em Portugal.
Traduzido em mais de trinta línguas e distinguido com inúmeros prémios, Javier Cercas é hoje uma das vozes centrais da literatura europeia contemporânea. A sua obra, frequentemente situada na fronteira entre ficção, ensaio e investigação histórica, interroga a memória, a verdade e as zonas cinzentas do passado coletivo. O mais recente livro, "O Louco de Deus no Fim do Mundo", tornou-se um êxito internacional e vai já na quinta edição em Portugal, confirmando a forte ligação do autor ao público português.
Concebido como um evento em espaço público, o Babell propõe transformar o Porto num verdadeiro ecossistema literário vivo, com conversas, colóquios, exposições, concertos e iniciativas para diferentes públicos espalhadas por ruas, praças e equipamentos culturais da cidade. A primeira edição decorre entre 24 e 30 de junho de 2026, com um programa que cruza literatura, pensamento contemporâneo e outras formas de expressão artística ligadas à palavra.
O festival arranca simbolicamente a 24 de junho, dia de São João, em Leça do Balio, com a inauguração do Jardim do Pensamento, o maior jardim público construído por iniciativa privada em Portugal no último século, num projeto dos arquitetos Álvaro Siza Vieira e Sidónio Pardal. Byung-Chul Han estará presente nesse momento inaugural, refletindo sobre a necessidade de abrandamento e reconexão com a natureza.
Idealizado como um projeto de responsabilidade cultural, o Babell assume a literatura como motor de participação cívica, pensamento crítico e desenvolvimento do território. Um dos seus gestos mais singulares passa pelo modelo de acesso às sessões: para garantir lugar sentado, o público deverá comprar um livro numa das livrarias ou alfarrabistas da cidade, usando-o como "moeda de troca". A intenção é clara - levar milhares de pessoas às livrarias e fazer do livro o centro da experiência.
Com a confirmação de Javier Cercas, o Babell afirma-se definitivamente como uma cidade-livro em movimento, onde a diversidade de vozes não separa, antes constrói um espaço comum de escuta, debate e imaginação partilhada.

