Lançamento de novo álbum marca o regresso de Toli César Machado aos palcos em 2024

Toli César Machado lança novo álbum esta sexta-feira
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“Noir” é a verdadeira continuação do álbum “Espírito” onde a temática cinematográfica é uma constante inspiração para o membro dos GNR
O JN foi até ao ensaio do novo disco de Toli César Machado, na Real Vinícola, em Matosinhos, onde apresentou temas do novo álbum “Noir”, lançado esta sexta-feira, como também do disco anterior, pois o músico acabou por nunca levar “Espírito” a palco.
“Noir” marca o regresso do músico à carreira a solo, longe dos GNR, banda da qual é fundador e compositor de vários temas. O próprio revela ao JN que espera que os fãs da sua banda estranhem as diferenças sonoras entre os dois projetos.
“A ideia é exatamente ser diferente. Acho que se fosse para tocar as mesmas músicas, não fazia sentido nenhum. O compositor é o mesmo, sou eu, mas a ideia é ser algo distinto. Se bem que há canções nos GNR que já apontavam para isto. Já existia um pouco deste registo", partilha.
Contudo, há que separar as águas. A musicalidade que Toli César Machado nos apresenta, atualmente, incorpora várias influências e artistas distintos. Exemplo é a convidada Ela Vaz, cantora portuguesa, protagonista do primeiro single lançado a público, “Calipso Amor”.
Esta pluralidade é visível na primeira apresentação do novo disco, onde ao entrarem em palco seis músicos, o ambiente instalado relembrou uma pequena orquestra. Ao contrário do habitual posicionamento de "frontman", Toli César Machado cedeu a ribalta à voz de Ela Vaz e colocou-se a seu lado, no piano.
“Assumir este papel de frontman, na verdade só vai começar em fevereiro, mas já está a ser estranho. O mais difícil é falar. A mim custa-me imenso”.
Como “Espírito” ficou em banho-maria, a realidade de apresentar-se a solo num projeto desta dimensão poderia não se ter concretizado se Hélder Moutinho não tivesse desafiado Toli César Machado a criar um segundo álbum. O reconhecido fadista e poeta português queria trabalhar com o músico e foi ele o principal motivador que o impulsionou a combater a “preguiça” de compor outro álbum.
Tardou cinco anos, mas chegou. “Noir” já se encontra disponível e, como o anterior, é um disco cinematográfico, pois com o seu passado em cinema, o músico sempre trabalhou “facilmente com imagens na minha cabeça”, partilha com o JN.
“O nome deste álbum provém dos filmes "noir”, que para mim são uma grande inspiração, porque é um tipo de cinema que me diz muito. Principalmente o cinema francês e neo-noir, que são géneros mais melancólicos, mais intimistas e este álbum tem tudo a haver com essa linguagem”, diz.
Entre “Espírito” e este novo disco, para Toli César Machado, existe uma notável evolução e até mesmo aperfeiçoamento das canções. Onde na sua composição, o mesmo tentou, “ir à canção pela canção, houve mais essa preocupação. Parece-me ser um disco mais fácil de ouvir, mais apurado. É como um vinho bom. (risos) Os vinhos bons são os que são fáceis de beber”.
O músico irá apresentar os dois álbuns, pela primeira vez, no dia 24 de fevereiro de 2024, no antigo Cinema Roma, atual Fórum Lisboa, onde vão marcar presença, vários convidados dos dois discos. Nos concertos em auditórios será praticamente sempre Ela Vaz, “porque é muito complicado conciliar a agenda de todos”, mas, uma vez ou outra, poderá haver outro convidado.
Num projeto como estes, para o músico aqueles que proporcionam os momentos mais especiais e importantes no espetáculo é mesmo a presença dos convidados em palco. Toli César Machado planeia que este concerto “vai funcionar como um todo, não vai ter explosões, nem confettis. Posso dizer que em termos da iluminação vão haver essas preocupações”.
Para além do cinema, “Noir” é inspirado nos anos quarenta, pois para o compositor tudo desta década o atrai: "o cinema, as grandes mulheres bonitas de cinema, os automóveis também eram mais bonitos, tudo era mais bonito. O glamour. Sinto uma conexão aos anos quarenta”. Contudo, Toli César Machado garante ao JN que, “não vou ficar preso sempre a isso, mas tenho uma grande simpatia por essa altura”.
O compositor de todo o seu disco destaca a canção pela qual tem mais apreço, exatamente por isso, no mini showcase decidiu começar com um tema mais demonstrativo, “Noir”, “primeiro, porque é instrumental e a minha vertente é a música instrumental. Se bem que sou um bocado cobarde e a maior parte do tempo escondo-me atrás dos cantores. É um grande trauma que eu tenho, não saber cantar e é o instrumento que eu acho mais emocionante. Costumo dizer que é uma benção, ter uma voz”.
A verdade é que na música, a harmonia de todos os instrumentos é o que transforma este projeto em algo singular, grandioso e emocionante, como canções saídas diretamente do grande ecrã. Este é exatamente o objetivo do compositor, “pegar nas canções mais pop e torná-las quase mais clássicas, dar-lhes uma roupagem nova. Divirto-me imenso a fazer este género de coisas”.
Em relação aos GNR, Toli César Machado confessa ao JN que para já só irão sair canções, não havendo um álbum em vista. No entanto, promete que eventualmente estas irão ser compiladas.
“No fim de contas é fazer um disco de originais. Há canções, mas não há nenhuma data apontada. Tem que haver a disponibilidade de todos, que nem sempre há”. Mas os fãs não precisam desesperar, porque enquanto esperava, “gravei um disco”.

