Mário Barroso: "Portugal dos anos 60 era cinzento, de uma imensa tristeza"

Mário Barroso: "A Júlia Palha é uma grande atriz"
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Lisboa, década de 1960. Entre jornalistas, militantes antifascistas e agentes da PIDE, intrigas políticas e sentimentais. "Lavagante", romance póstumo de José Cardoso Pires, foi adaptado a argumento cinematográfico por António-Pedro Vasconcelos, que a sua morte impediu de realizar. Interpretado por Júlia Palha, Francisco Froes, Nuno Lopes e a revelação Leonor Alecrim, o filme é assinado por Mário Barroso, veterano diretor de fotografia e também realizador, sem esquecer as vezes em que foi o Camilo de Manoel de Oliveira.
Como é que viveu a Lisboa dos anos 60?
Lembro-me muito bem dos anos 60 em Portugal. Até por razões familiares, pode imaginar o que vivi. Toda a minha família, quer do lado do meu pai, quer da minha mãe, era antissalazarista. O meu avô materno foi preso não sei quantas vezes, quase tantas como o Mário Soares. A ideia que guardo desse Portugal é de uma imensa tristeza, de tudo muito cinzento. Havia uma espécie de incómodo. Isso levou-me a propor fazer o filme a preto e branco.
