Michael Angelo Covino e Kyle Martin: "Na vida real, as pessoas tomam decisões disparatadas"

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Michael Angelo Covino e Kyle Martin falam de "Splitsville - Amor em Maus Lençóis", já nos cinemas.
Chama-se "Splitsville - Amor em Maus Lençóis" e, como o título desde logo indica, é uma comédia. O filme, que consegue dar-nos um olhar original sobre o tema mais abordado no cinema, o amor, transporta-nos para o delírio de relações amorosas e sexuais livres entre dois casais de amigos. Exibido fora de concurso em Cannes, o filme é fruto de mais um trabalho conjunto de Michael Angelo Covino, que realizou e escreveu o guião com Kyle Marvin. Os dois são ainda os atores principais, ao lado de Dakota Johnson e Adria Srjona, e protagonizam uma espetacular e inesquecível sequência de luta corpo a corpo, quando um deles descobre que afinal foi com o outro que a sua mulher teve uma relação livre fora do seu casamento. Se pensa que não é ciumento e acredita numa relação aberta, ainda pode ver "Splitsville - Amor em Maus Lençóis" nos cinemas. Para começar, recorda-se a conversa que o JN teve ainda em Cannes com Michael Angelo Corvino e Kyle Marvin.
Comecemos pela cena de luta, que é tão incrível. Quantas vezes a repetiram?
Michael Angelo Corvino (MAC) - Num plano geral, repetimos a cena sete vezes. E filmámos de mais alguns ângulos, para a montagem. Tudo junto, devem ter sido umas treze ou catorze takes.
Algum de vocês se magoou a sério?
MAC - Bom, pelo menos não ficámos com nenhuma lesão permanente. Mas eu estava mesmo a dar-lhe socos. Deve ter ficado com algumas nódoas negras.
Kyle Narvin (KM) - Estas cenas são o que são. São sempre muito físicas e intensas.
Sendo amigos na vida real, como é que conseguiram andar à pancada um com o outro de uma forma tão realista?
MAC - Este tipo de cenas são verdadeiramente um trabalho de equipa. Não tem nada de agressividade. São mais como uma dança. Temos de estar muito coordenados, estamos tão perto um do outro. Nesse sentido, a nossa amizade ajudou imenso, porque conhecemo-nos muito bem.
Qual foi o ponto de partida para esta história?
MAC - A ideia inicial era contar a história de pessoas que pensavam ter percebido tudo sobre o amor e o ciúme. Que se acham tão adultos que podem ultrapassar o conceito de monogamia, mas quando são confrontados com a realidade, por exemplo a personagem que interpreto tem a reação oposta à que pensava e tem aquela reação que leva à sequência da luta de que temos estado a falar. É realmente uma reação absurda, que não vimos antes em comédias românticas. Foi isso que nos levou realmente a fazer este filme.
Como é que desenvolveram depois a história?
MAC - Começámos a explorar e a definir as personagens, que situações é que poderiam acontecer, que emoções poderiam ter as personagens e como as poderiam expressar exteriormente. Como é que poderiam ser mostradas de uma forma física, numa luta corpo a corpo ou num acidente de automóvel. De uma forma visceral.
KM - Nós achamos que na maior parte das vezes as pessoas não tomam uma boa decisão ou uma má decisão, mas algo a meio caminho. Para nós foi muito divertido criar personagens que o sabem, mas estão sempre a tomar decisões completamente inesperadas. Mas é assim a vida real, as pessoas tomar por vezes decisões completamente disparatadas, sobretudo em momentos de pressão. Muito do humor e da emoção no cinema vem daí, do inesperado.

No processo de escrita, alimentaram-se de situações pelas quais já tivessem passado?
MAC - O filme não tem nada de autobiográfico, mas é claro que escrevemos sobre coisas que ou se passaram connosco ou que testemunhámos. Que se passaram com amigos próximos ou familiares nossos, com pessoas que amamos. Trabalhámos sobre uma base de verdade e de compreensão do mundo que está à nossa frente e de pessoas que vemos à nossa volta. De uma forma que pensamos poder ser ou muito emocional ou terrivelmente divertida.
KM - Nós não somos aquelas personagens. Isso permite-nos utilizar as nossas experiências, sim, mas definir muito bem as personagens e depois colocar-lhes pressão vinda do exterior e trabalhar sobre situações que nos interessam.
Com este tipo de história, e contada de forma tão divertida, toda a gente pode identificar-se com o vosso filme.
MAC - O nosso objetivo é fazer filmes que de certa forma possam ser provocadores, que tenham uma perspetiva artística, e que sejam divertidos e acessíveis para a maior parte das pessoas. Numa perspetiva universalista. Estas personagens, estes temas e o que nós discutimos no filme, ciúme, dor, arrependimento, insegurança, a forma como tomam as suas decisões, é algo de muito humano. Não interessa de onde vimos ou a língua que falamos, as pessoas percebem isto.
