
Mickael de Oliveira era co-diretor do Teatro Gil Vicente
Rui Dias
Encenador e dramaturgo tem 39 anos e sucede no cargo a Sara Barros Leitão. Com mandato até final de 2024, promete apostar em linhas de apoio à criação na companhia vimaranense.
Mickael de Oliveira, dramaturgo e encenador de 39 anos, é o novo diretor artístico do Teatro Oficina, de Guimarães, para os próximos dois anos. A companhia anteriormente dirigida por Sara Barros Leitão irá orientar-se prioritariamente para o apoio à criação, formação, pensamento sobre a atividade teatral e conceção de uma estrutura de apoio a criadores.
A "Linha de apoio à criação" surge como a grande novidade deste novo consulado. Se a anterior diretora artística teve a missão de reanimar uma companhia inativa, Mickael de Oliveira tem agora um "desafio superior", disse Rui Torrinha, diretor artístico e de artes performativas de A Oficina, cooperativa cultural vimaranense nascida em 1989.
A esta nova direção artística pede-se que trabalhe sobre "o que fica e é valioso e sobre o que pode ser acrescentado", diz Rui Torrinha, adiantando que o importante é que este seja um movimento "a somar, para que não haja um pára-arranca sempre que chega um novo diretor".
A linha de apoio, que o diretor convidado ilustrou como um "helpdesk", pretende dar apoio a artistas e estruturas de artes performativas, "quando os projetos estão em fase preparação", respondendo a questões práticas: candidaturas para financiamentos, locais para ensaio, formas de encontrar produtores.
"É um tipo de estrutura que não existe", sublinha. O acesso à linha será garantido por um balcão físico que abre em abril, e por uma plataforma virtual, que estará operacional até final do ano, de acordo com o vereador da Cultura, Paulo Lopes Silva.
Apoios à criação em primeiro plano
"Criação é a linha mais forte deste projeto artístico", destacou ao JN Mickael de Oliveira. A estadia em Guimarães do dramaturgo contempla a criação de uma peça, com o título provisório "Ensaio", que deverá ser apresentada em setembro.
Outro aspeto forte é o acolhimento de artistas em residências, com acompanhamento técnico dramatúrgico. O programa do novo diretor inclui também uma bolsa de criação para estimular a escrita original e "permitir a renovação dos repertórios originais".
Mickael Oliveira dirigiu antes o Teatro Gil Vicente
Mickael de Oliveira, nasceu em França, em 1984, e vive em Portugal desde 1999. Esta não é a sua primeira experiência na direção de uma espaço de criação teatral, depois de ter sido diretor-adjunto do Teatro Académico de Gil Vicente (Coimbra), entre 2011 e 2015.
É licenciado e mestre em Estudos Artísticos - Variante Teatro, pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e Doutor em Dramaturgia, pela Universidade de Lisboa. Escreve para teatro desde 2004, dividindo a sua atividade entre a escrita e a encenação.
Foi professor na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Instituto Politécnico de Leiria, na Escola Superior de Teatro e Cinema, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e esteve ligado a criação da pós-graduação em Teatro da Universidade do Minho. Em 2007, recebeu o Prémio Nova Dramaturgia Maria Matos.
