
Foto: Michael Tran/AFP via Getty Images
A atriz norte-americana Catherine O"Hara morreu aos 71 anos.
O falecimento foi confirmado pelo agente da atriz ao site norte-americano TMZ. A causa da morte ainda é desconhecida.
Ao longo de cinco décadas de carreira, a atriz integrou vários filmes e séries, tendo-se celebrizado pelo papel de Kate McCallister, a mãe do protagonista Kevin, na saga "Sozinho em Casa".
Catherine Anne O"Hara nasceu a 4 de março de 1954, em Toronto, Canadá, e tornou-se uma das presenças mais singulares e luminosas da história recente do cinema e da televisão. Ao longo de mais de cinco décadas, construiu uma carreira marcada por personagens excêntricas, memoráveis e profundamente humanas, revelando um talento raro para transformar a comédia em linguagem emocional. Criada numa família numerosa de origem irlandesa, Catherine encontrou cedo no humor uma forma de observação do mundo.
O cinema abriu-lhe as portas com entusiasmo. Em "Beetlejuice" (1988), de Tim Burton, deu vida à inesquecível Delia Deetz, uma artista performativa e extravagante que redefiniu o arquétipo da excentricidade no cinema dos anos 1980. Aqui conheceu o seu marido o produtor e realizador Bo Welch, com quem teve dois filhos. Pouco depois, conquistou o público mundial como Kate McCallister em "Home Alone" (1990) e "Home Alone 2: Lost in New York" (1992), onde equilibrou com notável sensibilidade o caos cómico e a ternura materna, tornando-se parte indissociável da memória afetiva de várias gerações. Catherine Anne o´Hara foi a mãe de todos os filhos daquela geração.
A sua voz revelou outra dimensão do seu talento. Em "O Estranho mundo de Jack" (1993), Catherine emprestou à personagem Sally uma melancolia delicada e poética, criando uma das figuras mais emocionais do universo de animação. Essa relação com o fantástico e o sensível prolongou-se em obras como "O sítio das coisas selvagens" (2009) e "Frankenweenie" (2012), onde a sua presença acrescenta sempre profundidade emocional.
Nos anos seguintes, Catherine O"Hara encontrou um espaço criativo especialmente fértil ao colaborar com Christopher Guest em filmes como "Best in Show" (2000), "A Mighty Wind" (2003) e "Isto é Hollywood" (2006). Nesses projetos, muitas vezes baseados na improvisação, a atriz explorou com liberdade a sua inteligência cómica, criando personagens simultaneamente absurdas e comoventes.
O reconhecimento pleno chegou com "Schitt"s Creek" (2015-2020). A sua interpretação de Moira Rose, uma ex-estrela de telenovelas envolta em figurinos teatrais e num sotaque inclassificável que se tornou um fenómeno cultural. Por detrás do exagero, Catherine revelou uma mulher frágil, orgulhosa e em permanente reinvenção, desempenho que lhe valeu o Prémio Emmy em 2020 e o carinho definitivo do público.
Catherine O"Hara nunca perseguiu o estrelato de forma óbvia. O seu percurso é feito de escolhas conscientes, colaborações duradouras e um profundo respeito pela arte de interpretar. A sua comédia não ridiculariza; observa. Não grita; sugere. Em cada personagem, há sempre um eco de verdade. Hoje, Catherine O"Hara permanece como uma atriz essencial - alguém que nos ensina que o riso pode ser elegante, que o exagero pode ser poético e que, por vezes, é através da comédia que se revelam as emoções mais profundas.

