
O escritor Urbano Tavares Rodrigues morreu, esta sexta-feira de madrugada, aos 89 anos. Tinha uma insuficiência cardíaca grave e estava hospitalizado há três dias. O corpo será velado a partir das 19 horas na Sociedade Portuguesa de Autores, em Lisboa.
"Acabei de saber da sua morte e lamento profundamente", disse à agência Lusa o vereador comunista da Câmara Municipal de Lisboa Ruben de Carvalho, camarada de partido do escritor, jornalista e ensaista Urbano Tavares Rodrigues.
A notícia da morte do escritor foi também divulgada pela sua filha, Isabel Fraga, na página de Facebook "Urbano Tavares Rodrigues - escritor", na qual escreveu esta sexta-feira de manhã: "O meu pai acaba de nos deixar. Estava internado nos Capuchos há 3 dias. Não tenho mais informações. Soube agora mesmo".
Urbano Tavares Rodrigues, escritor, jornalista, militante do Partido Comunista, nasceu a 8 de dezembro de 1923 e tinha completado recentemente 60 anos de vida literária.
Enquanto jornalista, trabalhou no "Diário de Notícias" (para onde entrou logo em 1946), "Diário de Lisboa", "Artes e Letras", "Jornal do Comércio" e "O Século", entre outros órgãos, e enquanto escritor assinou uma obra em que quase sempre expressou preocupações sociais e tendências políticas.
Preso pela PIDE em 1963 e 1968, usou o segundo período de clausura para escrever "Contos de Solidão", que passou clandestinamente para o exterior. Apesar da intensa atividade na oposição, só em 1969 Urbano Tavares Rodrigues se filiou no PCP, pelo qual chegou a ser eleito deputado, embora não tendo aceite exercer o mandato.
Urbano Tavares Rodrigues foi distinguido com os galardões literários da Associação Internacional de Críticos Literários e da Imprensa Cultural, bem como com os prémios Ricardo Malheiros, Aquilino Ribeiro, Fernando Namora, Jacinto do Prado Coelho, Camilo Castelo Branco e o consagrado Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores (2003).
Urbano Tavares Rodrigues foi casado com a também escritora Maria Judite de Carvalho.
