
Museu Nacional da Música
Jorge Amaral/Global Imagens
Um cravo moderno com dois teclados e sete pedais, construído em Basileia em 1963 e pertencente a Maria Malafaia, faz parte das centenas de doações entregues à instituição lisboeta.
Da lista das doações efetuadas recentemente, além do cravo que pertenceu à primeira cravista portuguesa que realizou digressões internacionais, constam ainda uma pianola Angelus Winkelmann com 70 rolos, um arco de contrabaixo Capela, e um piano vertical decorado com "chinoieries" fabricado por Theodore Steglich, de Wittenberg, na Alemanha.
Ao espólio do museu foi ainda doada uma flauta transversal da família Haupt datada da primeira metade do século XIX, um retrato a óleo do compositor e antigo diretor do Conservatório Nacional Manuel Ivo Cruz (1901-1985), uma flauta transversal Scott Ribas que terá pertencido a Joze Maria del Carmen Ribas (1796-1861), e um piano de cauda "Erard" que pertenceu à pianista e antiga professora do Conservatório Nacional Albertina Saguer.
Do lote de bens doados ao Museu Nacional da Música, "é impossível não dar um lugar muito especial ao depósito do Conservatório Nacional, a Escola Artística de Música do Conservatório Nacional, legado que se reveste da maior importância não só pela sua dimensão mas, sobretudo, pelo seu significado histórico, sendo um caso 'só por si'", afirmou uma fonte do museu.
Parte significativa do atual acervo do Museu Nacional da Música pertenceu ao Conservatório Nacional, onde esteve exposto, durante cerca de 30 anos, no então Museu Instrumental do Conservatório Nacional.
Em 1971, "a maioria das peças teve de sair deste espaço, tendo algumas sido guardadas inicialmente no Palácio Pimenta, em Lisboa. Alguns dos instrumentos ficaram no Conservatório Nacional, o que originou uma violenta separação da coleção. A retoma da ligação histórica ao Conservatório Nacional pelo museu resultou numa doação de 726 peças (52 instrumentos, dez acessórios, 36 fragmentos de instrumentos e 578 fonogramas, entre discos de goma-laca e vinil, rolos de pianola, uma tapeçaria, uma litografia, nove fotografias e 39 matrizes)", disse a diretora do museu, Graça Mendes Pinto Ludovice.
Neste depósito do conservatório, a diretora referiu "a enorme importância da recuperação de peças como a famosa trompa de harmonia encomendada a Marcel-Auguste Raux, em 1835, pelo 1.º conde de Farrobo [Joaquim Pedro Quintela do Farrobo], que se encontrava incompleta, faltando as roscas; e a descoberta da tapeçaria do século XVI representando instrumentos musicais, outrora exposta no antigo museu do Conservatório Nacional e que contou para a sua montagem com a colaboração do então diretor do Museu Nacional de Arte Antiga, João Couto".
