
Álvaro Magalhães publica desde o início da década de 1990
Pedro Granadeiro/Global Imagens
O escritor português Álvaro Magalhães inicia em junho uma nova coleção literária para os mais novos, que apresenta a família Malapata, que sofria "pequeno golpes de má sorte todos os dias, a toda a hora".
"Toda a gente tem dias bons e maus; os Malapata têm dias maus e dias péssimos, de morrer, quase todos para esquecer", escreveu Álvaro Magalhães nas primeiras páginas de "Olho de Lince -- A incrível história da família Malapata".
Este é o primeiro volume da coleção "Passagem Secreta", com histórias assinadas por Álvaro Magalhães e ilustradas pelo espanhol David Pintor, a editar a partir de junho pela Porto Editora.
A história é narrada por um gato preto que faz as apresentações da família Malapata, que o acolheu quando era pequeno: "Não sou o gato da família, eles é que são as minhas pessoas".
Desta família faz parte, por exemplo, Pedro Malapata, 42 anos, arquiteto e que "tem a missão de procurar o Olho de Lince, o amuleto que protegia a família da má sorte e que foi roubado há alguns anos".
Há ainda o antepassado da família, "o Malapata mais importante de todos", "embora seja uma pintura de corpo inteiro que está no hall" de casa: Curzio Malaparte, italiano, que foi para Lisboa em 1948 aos 26 anos, e que se torno no "primeiro de gerações de gente azarada".
"Eram Malaparte, mas como tinham tão pouca sorte, as pessoas passaram a chamar-lhes Malapata", explica o gato.
"Olho de Lince -- A incrível história da família Malapata" é recomendado para leitores entre os seis e os dez anos.
Álvaro Magalhães, nascido no Porto em 1951, começou por escrever poesia, que lançou em edição de autor, mas está vinculado desde os anos 1980 à literatura denominada infantil e juvenil, porque é direcionada para crianças e jovens, embora o autor sempre diga que o que faz é para todos.
Em 2022 assinalou 40 anos de carreira, a contar desde a edição de "Uma história com muitas letras", de 1982.
Na altura, em entrevista à agência Lusa, Álvaro Magalhães disse que, além da filha, para quem escreveu as primeiras histórias, houve duas outras pessoas que o levaram para o universo infantojuvenil: a escritora e editora Ilse Losa, que o estimulava a escrever, e o autor e amigo Manuel António Pina.
"Ele é que fundou a modernidade na literatura infantil. Até aí não existia nada. Ele é que nos mostrou que havia vida em Marte, que havia um mundo de possibilidades, [...] uma literatura gratuita, feita de jogo de palavras, de explorações semânticas, linguísticas. Ele foi o fundador", disse.
Em quatro décadas, não sabe bem já quantos livros editou -- "é à volta de 120" -, entre conto, poesia e álbum ilustrado, incluindo várias séries de enorme sucesso, como "Triângulo Jota", "O Estranhão" e "Os Indomáveis FC".
