
Olivia Dean, cantora britânica de 26 anos
Foto: Chris Torres / EPA
Olivia Dean dá-nos o melhor da neo soul em "The art of loving" vencedor de quatro BRIT.
Apesar da pletórica atuação de Rosalía com Bjork, coreografadas por La (H)orde de "Berghain", nos Brit Awards, Olivia Dean já nos tinha advertido que ela torna muito fácil que nos apaixonemos por ela. Depois de no fim de semana, ter arrecadado quatro prémios, incluindo o melhor álbum com "Art of loving", percebemos que é como aproximar o ouvido de um coração aberto: ouvem-se camadas, pulsações, respirações escondidas entre acordes. Há um cuidado quase cinematográfico nos arranjos. As cordas entram como luz a atravessar cortinas de linho; os sopros surgem discretos e a bateria sempre num diálogo com o baixo, quente e redondo, sustenta tudo com uma elegância que lembra o soul clássico, mas com a subtileza contemporânea de quem sabe que menos é mais.
Em "We Could Be Nice To Each Other", o groove é suave, quase tímido, dois desconhecidos que se aproximam devagar. A guitarra limpa desenha pequenos círculos, enquanto o piano pontua as frases como se sublinhasse as palavras mais frágeis. A produção deixa espaço para respirar a emoção. Já em "The Man I Need", a construção é ascendente. Começa minimalista, com acordes espaçados e uma voz quase nua. Depois, camada sobre camada, surgem harmonias vocais como braços sonoros. O refrão abre-se como horizonte depois da tempestade: há mais reverberação, mais corpo, mas nunca excesso. É um crescendo emocional que se traduz em arquitetura musical.
E quando chega "Easy To Fall In Love", há um brilho rítmico mais luminoso. A secção rítmica tem um toque de jazz-pop, e a melodia desliza com naturalidade. A voz de Olivia brinca com dinâmicas, alternando entre sussurro e expansão, provando que técnica e sentimento coexistir sem conflito. Um álbum feito de instrumentos reais e imperfeições humanas.
Olivia Dean
"The art of loving"
2025

