
A última temporada da série estreou em janeiro
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"The Good Doctor" chega ao fim com várias lições sobre autismo e humanidade.
A postura imperturbável, o olhar distante e as tiradas impiedosas mas verdadeiras são tão desconfortáveis como encantadores. Não há como ficar indiferente ao Dr. Shaun Murphy, como gosta de ser tratado o brilhante médico da série "The Good Doctor". A sétima temporada de uma das produções televisivas americanas mais acarinhadas dos amantes de histórias em contexto hospitalar chegou à Netflix em janeiro. E prepare-se: é o capítulo final no percurso do genial cirurgião autista do San Jose St. Bonaventure.
Se, no início, nos chega ao ecrã um miúdo inseguro, cheio de dúvidas e desafios, no fim, somos confrontados com um Shaun que é também marido e pai. Como seria de esperar, até a simples tarefa de mudar a fralda ao filho se transforma numa experiência científica infalível e cronometrada. Mas há uma dimensão emocional, agora tão mais densa, que nos agarra à personagem, brilhantemente interpretada por Freddie Highmore.
Há dolorosas perdas - duas capazes de deixar os espectadores mais fiéis abalados - batalhas pela vida que surgem de um dia para o outro, como na vida real, mudanças inevitáveis que causam arrufos, desafios éticos da profissão e dificuldades na gestão das dimensões pessoal e profissional. Ouvir Shaun verbalizar as saudades que vai sentir da família no dia do regresso ao trabalho é encher o peito de orgulho como se de um filho se tratasse. Está ali o eterno menino que tanto queremos abraçar e proteger de um mundo cruel, nem sempre permeável à diferença.
Destaque para as participações de Paige Spara, a doce Lea, Richard Schiff, o inultrapassável Aaron, mentor de Shaun, Antonia Thomas, no papel de Claire, Fiona Gubelmann, a maravilhosa colega Morgan, e Christina Chang - Audrey na série - uma das médicas mais carismáticas da história.

