
Atores José Condessa e Bárbara Branco foram muito requisitados pelos fãs na hora das fotos
Nuno Brites/Global Imagens
Série de seis episódios sobre o amor proibido de um pároco foi filmada em Leiria e estreia esta segunda-feira à noite na RTP 1. JN falou com o realizador Leonel Vieira e com os atores José Condessa e Bárbara Branco.
Vinte e um anos após ter adaptado para cinema a obra de Ferreira de Castro "A Selva", Leonel Vieira volta a realizar uma série baseada no livro de um dos maiores romancistas portugueses, Eça de Queirós, centrada no amor proibido de Amaro e Amélia. Descrito pelo realizador como um "baile de olhares", "O crime do Padre Amaro" teve antestreia, sábado à noite, em Leiria, cidade onde foi rodada grande parte das cenas da série produzida pela RTP, que exibe esta segunda-feira à noite o primeiro episódio, no canal 1.
"Este foi talvez o maior desafio técnico que tive. É um projeto de detalhes, de atores, de direção de atores, de pequenos conflitos palacianos", explica ao JN o realizador. "Metade do guião, metade do discurso é um baile de olhares", diz. Consciente de que a adaptação da obra de Eça de Queirós não seria fácil, tendo em conta as transformações da cidade um século e meio depois, Leonel Vieira não se arrepende de ter feito essa opção. "Fizemos uma boa reconstrução da Leiria daquele tempo. A série está bonita. E está digna".
Leonel Vieira confessa que gostava de ter uma reação semelhante à suscitada ao filho de Ferreira de Castro, quando filmou "A Selva". "Mandou-me uma carta linda a elogiar-me e a dizer que o pai se teria emocionado", recorda. "Todas as equipas são brilhantes e o elenco é muito talentoso. Trouxe grandes atores, para fazerem papéis secundários. Isso dá-lhe outra qualidade", assegura.
Empenhado em fazer uma "adaptação próxima" do romance, diz não estar "minimamente preocupado" com a reação da Igreja, embora acredite que a série não deixará ninguém indiferente. "Eça levanta uma discussão que, infelizmente, ainda hoje tem pertinência".
O Erotismo latente
"Sei que as pessoas estão curiosas para ver a série, porque a obra é muito polémica, pelo seu erotismo latente, mas é muito mais do que isso", sublinha Bárbara Branco, que interpreta Amélia, o papel feminino principal. "Espero que as pessoas a vejam por outros motivos e pelo amor impossível entre Amaro e Amélia", observa. "Vi o primeiro episódio. Está muito forte. A série está muito boa, muito bonita, muito ágil, que é uma coisa a que não estamos habituados em Portugal, o que fez com que o resultado final fosse ainda melhor".
"O erotismo e a sexualidade são inerentes à própria obra, mas esta não tem uma dimensão universal por causa disso", confirma José Condessa, que interpreta, pela primeira vez, o papel de um pároco.
Fã de Eça de Queirós, começou por reler o livro, para poder encarnar melhor Amaro, que é o dínamo da história, passada em 1870, em que as missas eram ainda em latim. "Tive de mergulhar de outra forma na obra, tendo em conta a personagem de Amaro, e de ter a ajuda de um amigo que é padre e ainda de um historiador", diz o ator.
Paga-se taxa para isto
"Esta história passa a ser património audiovisual do país e será seguramente vista em muitos países do mundo", acredita José Fragoso, diretor de programas da RTP. "Muitas vezes, as pessoas perguntam-se por que é que pagam 2,8 euros pela taxa de televisão na fatura da eletricidade. Isso acontece porque a RTP produz conteúdos completamente diferenciados, que incluem filmes portugueses, telefilmes produzidos em Portugal, e séries de ficção", conclui. Constituída por seis episódios, a série é transmitida às segundas-feiras.
Rota d" O Crime do Padre Amaro vai ser retomada
O presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, anunciou que a Rota do Crime do Padre Amaro, que retrata "o meio beato de Leiria" de finais do século XIX, vai voltar a ser realizada - e agora com o apoio de atores locais. O roteiro irá percorrer os seis locais da zona histórica de Leiria referidos na obra clássica de Eça de Queirós. O roteiro arranca na A visita tem início no Largo 5 de Outubro, onde se recua a 1870, ano em que o Amaro foi nomeado pároco da Sé. As ruas Afonso Albuquerque, da Misericórdia, Travessa da Tipografia, Largo da Sé e Casa do Sineiro completam o trajeto. Há visitas com guias nos dias 29 de janeiro e 5, 12, 19 e 26 de fevereiro, às 11 horas.
