
Marlon Brando no papel mais icónico da sua longa carreira
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Clássico realizado por Francis Ford Coppola em 1972 envelheceu como um Macallan.
E que tal uma obra-prima do cinema para começar o ano? Daquelas consolidadas e incontestadas, que figuram nas primeiras posições de qualquer lista séria, que atravessaram gerações como manual sobre a vida a morte, o amor e a traição, a família e os negócios, e chegam a 2026 ainda capazes de acrescentar património a todos aqueles que já a viram ou a desconhecem? Que tal começar o ano com "O padrinho" (1972), de Francis Ford Coppola?
Só o processo de "casting" do filme que adaptou a novela de 1969 de Mario Puzo "The godfather" e arrecadou, até hoje, perto de 300 milhões de dólares em receitas de bilheteira daria uma película autónoma. Marlon Brando, que estabeleceu o cânone na representação de líderes da máfia - além do colossal talento, que lhe valeu o Oscar de melhor ator, caprichou na composição enchendo as mandíbulas de algodão e o cabelo com graxa -, foi Vito Corleone devido à insistência do realizador: a produção desejava alguém mais cordato e económico, como Ernest Borgnine, Laurence Olivier ou Anthony Quinn.
Al Pacino, à época quase um desconhecido, logrou o papel de Michael Corleone - e boa parte do filme descreve a sua passagem de menino reservado para cargos de prestígio a líder implacável e amargurado - contra a concorrência de Alain Delon ou Dustin Hoffman. E como a realidade não andava longe de "O padrinho" - as "cinco famílias" existem em Nova Iorque, chamam-se Bonanno, Colombo, Genovese, Gambino e Lucchese -, o papel de Johnny Fontane foi atribuído ao cantor Al Martino também por pressão de um chefe da máfia, Russell Bufalino: recorde-se que no filme há uma cabeça de cavalo para convencer o produtor Jack Woltz a integrar Fontane num determinado elenco.
Composto por cenas breves e intensas, "O padrinho" desenha um mosaico onde cabem todos os grandes temas da literatura universal. E ninguém se esquece de certas frases: "Leave the gun, take the cannoli."
