
Olivia Colman e Anthony Hopkins
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Um dos trabalhos mais exigentes da carreira de Anthony Hopkins. Há Cinema por aqui.
Por esta altura, sobretudo com a mediatização dos Oscars, já quase toda a gente saberá que "O pai" é um filme sobre um idoso que começa a perder a noção da realidade que o envolve. Mas convém desde logo sublinhar que nem "O pai" é mais um daqueles filmes sobre pessoas com doenças cujo objetivo é simplesmente capitalizar nos (bons) sentimentos do espectador, nem Anthony Hopkins tem apenas mais um trabalho a acrescentar à sua longa e notável filmografia. Não, "O pai" é um filme de uma enorme sinceridade e honestidade, além da forma inteligente como está construído, e Hopkins tem um dos seus trabalhos mais exigentes e onde, com pouco para se agarrar, nos mostra de uma forma que nunca fizera o absolutamente extraordinário ator que é.
Florian Zeller acertou ao que parece desde logo com a peça, que correu quase meia centena de países e somou louvores e, para a sua adaptação a guião cinematográfico contaria com o apoio de um experiente e talentoso dramaturgo, encenador e realizador britânico, Christopher Hampton, responsável ainda pela versão em língua inglesa dos incisivos e rigorosos diálogos do filme. A ideia brilhante de Zeller foi de colocar o espectador na mente da personagem de Anthony - é assim mesmo que se chama no filme -, partilhando as suas dúvidas, incertezas, medos e raiva. Num caminho que culmina na cena final, onde raras vezes vimos um ator tão desnudado emocionalmente.
Foi preciso coragem para Anthony Hopkins aceitar o desafio, é preciso coragem para, deste lado, o espectador se confrontar também com os seus próprios medos. Mas a experiência, apesar de brutal, incómoda e dolorosa, é única. Há Cinema por aqui.
O pai
FLORIAN ZELLER
2020
