Stuart Gordon, um dos grandes mestres do cinema fantástico, passou recentemente por Portugal, para participar no festival MotelX, onde nos falou sobre o seu cinema e as novas tendências dos filmes de terror.
Com "Re-Animator", rodado em 1985, nasceu um novo mestre do cinema de horror, Stuart Gordon. "From beyond" e "Dolls" confirmaram-no de imediato. Lovecraft e Poe encontravam um fiel adaptador do seu estilo à linguagem cinematográfica.
Homenageado pelo MotelX, onde deu uma "masterclass", Stuart Gordon é uma pessoa afável, casado há mais de 40 anos com Carolyn Purdon-Gordon, que, no entanto, nas palavras dela, que o acompanhou a Lisboa, já matou mais de 20 vezes na tela.
Sobre o Stuart Gordon da vida real, o realizador afirma que "toda a gente pensa que, quando me conhecerem, vou ter as minhas mãos cheias de sangue. Mas a minha vida pessoal é completamente pessoal. Tenho família, um cão e um gato. O que se passa é que tenho os meus pesadelos durante o dia. É com os meus filmes que vou libertando coisas do meu sistema."
Começo a interessar-se pelo fantástico e pelo terror "quando era miúdo. Os meus pais não me deixavam ver filmes de terror. Mas eu tentava ver o maior número possível. E tinha pesadelos. Por vezes, penso que faço os meus filmes para os poder controlar".
Sobre os seus mestres, em que se inspirou para fazer os seus filmes, o cineasta afirma: "Tenho de dizer que Alfred Hitchcock foi uma das minhas maiores influências. Sempre adorei os filmes dele. Mas também o Roman Polanski. Quando comecei a fazer o "Re-Animator", usei o "Rosemary's baby" como modelo para como rodar um filme. Ensinou-me imenso".
"Re-Animator" e "From beyond" foram grandes responsáveis pelo "boom" do vídeo dos anos 80. Mas depois chegou o terror adolescente… Sobre o fenómeno, Stuart Gordon defende que "todas as décadas têm os seus próprios filmes de terror. Houve os filmes em que adolescentes se matavam uns aos outros. Mas, depois, vieram os filmes de fantasmas, muito por influência dos asiáticos. E mais tarde os filmes de tortura. De vez em quando, é preciso algo de novo para nos assustar. Ultimamente, é o terrorismo biológico".
