
A enérgica e muito sagaz Bundle é interpretada pela atriz Mia McKenna-Bruce, em "Os sete relógios"
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Nova minissérie policial "Os sete relógios" traz para o pequeno ecrã a intrépida Bundle, heroína menos conhecida da escritora Agatha Christie. Já está na Netflix.
A importância de um escritor não se mede apenas pela quantidade de livros vendidos no seu tempo, mas pela capacidade da sua escrita seduzir sucessivas gerações. Agatha Christie, incontestavelmente, é um bom exemplo, que se expressa igualmente pelas inúmeras adaptações feitas pelo cinema, a televisão ou a BD - e a editora Arte de Autor tem no seu catálogo duas dezenas de versões recentes.
E se evocar Agatha Christie remete para um certo detetive belga de bigodes afilados e cabeça ovoide, imbatível nas capacidades dedutivas, a verdade é que nos legou outras personagens: Miss Marple, Beresford ou a jovem Lady Eileen "Bundle" Brent, protagonista de apenas dois romances.
Um deles é "Os sete relógios", drama ambientado em 1920, numa Europa ainda aturdida pela Primeira Grande Guerra, mas com alguns já a anteciparem a Segunda, que alia ao tom policial um clima de espionagem.
Após uma festa animada, um jovem aparece morto, e a enérgica Bundle (a atriz Mia McKenna-Bruce), descrente da teoria de suicídio ou não estivesse convencida de que o falecido lhe ia propor casamento em breve, decide investigar por sua conta. Mas não antecipa quer vai incomodar altas instâncias governamentais e uma certa organização cuja face pública é a personagem a que Martin Freeman confia o seu carisma.
Um segundo cadáver e o adensar da intriga levam Bundle a questionar o seu envolvimento no caso, mas o desejo de descobrir a verdade prevalece e o mistério dos sete relógios encontrados no quarto do morto acabará a ser resolvido a bordo de um comboio - cenário que Agatha Christie utilizou mais do que uma vez, sempre com grande eficácia dramática - com um desfecho que é tanto surpreendente quanto trágico.
Leve e bem ritmada, capaz de prender o espectador, "Os sete relógios" comprova como a escrita de Agatha Christie, uma autora imortal, continua intocada.

