
Por Diogo Lopes, Enólogo convidado
Dos Açores ao Alentejo, duas propostas que trazem prazer e originalidade à mesa
O vinho é um mundo extraordinário, com um interminável campo de opções, experiências e reinvenções. A dinâmica é permanente e, diga-se, é isso que nos apaixona. Por isso, nunca nos cansamos da permanente procura da originalidade, do que é genuíno, do que é surpreendente...
Existem vinhos muito característicos que me enchem de inspiração. Em primeiro lugar, os brancos vulcânicos que fazemos nos Açores, nas curraletas dos Biscoitos, na Ilha Terceira.
Em 2009, tive a oportunidade de conhecer de perto a incrível e heroica viticultura dos Biscoitos, onde as vinhas resistem ao ambiente agreste, praticamente em cima do mar, protegidas pelos muros de pedra - curraletas. Os cachos da casta Verdelho como que nascem da pedra vulcânica, marcados ainda pelos ventos marítimos que tendem a derrubá-los, oferecem-nos uvas extraordinárias.
Magma | Branco | 2018
Com o meu amigo e mestre Anselmo Mendes, lançámos um projeto com a Adega Cooperativa dos Biscoitos, para vinificação e criação de uma nova marca (Magma e Muros de Magma), valorizando assim o trabalho dos agricultores, para que estes mantenham a preciosidade das curraletas. Os vinhos exprimem todo aquele caráter vulcânico e salino. E, acima de tudo, conferem grande prazer à mesa. Agora, chega ao mercado a mais recente edição, o Magma 2018. Cada uma das garrafas é um tesouro. E um grande motivo de orgulho!
Herdade Grande Amphora | Branco | 2018
Em segundo lugar destaco a tradição antiga dos potes de barro, inspirada nos romanos e emblemática no nosso Alentejo, particularmente, de Vila de Frades. É precisamente daí, junto à Vidigueira, na centenária Herdade Grande, que regressa o chamado Vinho de Talha, com o Herdade Grande Amphora 2018. O processo puro, carregado de originalidade e simplicidade, pela fermentação e estágio nas talhas de barro, reveste-se de um significado especial, precisamente por ser na Herdade Grande, uma casa e família que sempre me acarinhou e através da qual tive oportunidade de regressar ao Alentejo, onde tinha iniciado carreira em 2005. Voltar a encher as talhas da Herdade Grande, como ali se fazia há 100 anos, é um enorme privilégio. Que se espelha numa edição limitada de apenas 1640 garrafas, para um branco carregado de cor e sabor, que nos faz mesmo viajar no tempo...
PARA A SEGUNDA SÉRIE DESTA RUBRICA, O JN DESAFIA OS PRODUTORES A APRESENTAREM OS SEUS VINHOS
