
Igor Martins/Global Imagens
O público está a voltar às salas de cinema, com os espectadores e as receitas de bilheteira a aumentar consistentemente desde o fim das restrições da pandemia. Os números ainda estão longe dos 14,5 a 15,5 milhões de espectadores anuais que se registaram entre 2015 e 2019. Contudo, já se destacam dos 3,77 milhões de pessoas que foram ao cinema em 2020, quando as salas chegaram a encerrar.
Até julho deste ano, houve uma subida de 238% (em relação ao mesmo período do ano passado) e quase se alcançou, em sete meses, o número total de espectadores de 2021. Os dados foram divulgados pelo Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA). O regresso do público ao cinema já se sentiu no ano passado, com 5,5 milhões de ingressos. Este ano, esse número já passou dos cinco milhões (rigorosamente 5 064 824), até ao final de julho.
A quebra da pandemia abalou um quinquénio de estabilidade em termos de público e receitas brutas de bilheteira. Entre 2015 e 2019, esta receita oscilou entre os 74,9 milhões de euros de 2015 e os 83,1 milhões de euros, tendo sido este o ano mais rentável daqueles cinco em análise.
Esta retoma para a qual apontam os números do ICA expressa uma continuidade nos gostos e na partilha desigual de ganhos do setor. Os dados mostram que, no ano que passou e até julho deste ano, a maioria das idas ao cinema foram para assistir aos grandes "blockbusters" produzidos nos Estados Unidos da América (EUA). Este ano, por exemplo, o top 3 dos filmes mais vistos é: "Top Gun Maverick", com Tom Cruise, a animação "Mínimos 2" e a fita de ação "Uncharted".
Assim sendo, as receitas brutas de bilheteira continuaram, sem surpresa, concentradas nos grandes distribuidores. E há três empresas - Nos Lusomundo Audiovisuais, Cinemundo e Big Picture 2 Films - que representam 93,3% da quota de mercado em termos de espectadores.
MAIS FILMES EUROPEUS
Do total dos 29,1 milhões de euros de receita bruta já apurada este ano, apenas 6,2% couberam a outros distribuidores, como a Pris Audiovisuais (2%), Outsider Films, Leopardo Filmes, Films4You, Midas Filmes, Lanterna de Pedra Filmes e outras empresas, por ordem decrescente de receita.
No relatório mais recente do ICA, divulgado no final de julho, destaca-se ainda a maior vivacidade do cartaz de estreias de longas-metragens (ficção e documentário) de produção europeia. Nestas, incluem-se naturalmente os filmes portugueses e outros filmes com origem na Europa, assim como coproduções intraeuropeias e extraeuropeias.
Nos primeiros sete meses deste ano, estrearam 136 filmes europeus (28 deles portugueses ), bem mais do dobro das 54 produções dos EUA - isto num total das 227 estreias, que contaram com 23 estreias de outras proveniências. Foram também de origem europeia a maior parte dos filmes exibidos: 421 contra os 146 dos EUA, e ainda os 82 de países de outras regiões do Mundo.
Em resumo, a Europa é a origem de 59,9% das estreias e 61,6% dos filmes exibidos. Já os EUA "assinam" 23,5% das estreias e 21,4% das exibições, ficando outros países com 10,1% e 12,% daquelas quotas, respetivamente.
Porém, a maior parte das idas ao cinema são para visionar os êxitos de bilheteira ("blockbusters") estado-unidenses, com estas grandes produções a render a fatia de leão das receitas . A unanimidade de gostos é inequívoca: 72% dos espectadores deste ano compraram bilhete para aquele top 3 dos mais vistos.
O líder da tabela é "Top Gun: Maverick" (o regresso do aviador Pete Miltchell mais de 30 anos depois, novamente protagonizado por Tom Cruise), estreou em 26 de maio e já atraiu às salas de cinema mais de 625 mil espectadores e representou uma receita bruta de quase 4 milhões de euros para o distribuidor Nos Lusomundo.
