"Robin Hood", de Ridley Scott, chega hoje, quinta-feira, às salas de cinema. Trata-se de mais uma versão das aventuras do famoso Robin dos Bosques, aqui interpretado por Russell Crowe, a quem se juntam Cate Blanchett, William Hurt, Max von Sidow, entre outros. Veja o trailer.
Aos poucos, a parceria entre o realizador britânico Ridley Scott e o actor australiano Russell Crowe, ambos clientes habituais das produções de ponta dos estúdios de Hollywood, tem-se tornado uma das mais prolíferas do cinema americano mais recente.
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No espaço de apenas dez anos, os dois já rodaram cinco filmes juntos, desde que o actor foi uma das bases do sucesso de "Gladiador", que venceu nesse ano de 2000 o Óscar de melhor filme. Mas a dependência entre os dois homens acentua-se nos últimos anos: nada menos que quatro filmes nos últimos quatro anos, a saber, "Um bom ano", "Gangster americano", "Corpo de mentiras" e este "Robin Hood", que agora estreia entre nós, um dia após ter aberto o Festival de Cannes.
Qual terá sido então o motor do projecto, um veículo para a popularidade do actor ou a necessidade sentida de adaptar uma vez mais a história de Robin Hood ao cinema, sentindo-se que o australiano seria o herdeiro natural de Douglas Fairbanks Jr., Errol Flynn ou Kevin Costner?
O cartaz do filme aposta desde logo na novidade de se tratar, desta vez, do "outro lado da lenda". A aposta na definição mais exacta das raízes históricas da personagem não é por si só de criticar, muito pelo contrário, mas quando se fala de Robin dos Bosques, do "velho" Robin, o que as pessoas querem ver é alguém capaz de "tirar aos ricos para dar aos pobres". Fosse esse o propósito do filme, e em tempo de contenção económico-salarial, poderia candidatar-se ao título de filme mais popular de sempre.
Ridley Scott sabe de cinema como poucos, é certo. Mas, ao longo da sua carreira de mais de 30 anos, depois de um percurso já por si brilhante na publicidade, também sabe o que é fazer filmes no quadro do cinema americano, ele que até é deste lado do Atlântico. Mas o homem que nos deu matrizes como "Alien, o 8º Passageiro", "Thelma e Louise" e "Blade Runner" apresenta, aos 71 anos, um olhar um pouco envelhecido, por conservador e académico, de um herói de que se precisava ou de uma visão completamente distinta ou de uma reencarnação do mito, vestida para uma nova geração de cinéfilos. Se os jovens ficarem com esta ideia do Robin dos Bosques, então é um pouco triste. Felizmente que há sempre a possibilidade de se voltar aos clássicos.
