
Lisboa, 18/07/2019 - Início do Festival Super Bock Super Rock que celebra 25 edições, desta vez de volta à Praia do Meco. Abertura dos portões (Rui Oliveira/Global Imagens)
Rui Oliveira
25.º Super Rock arranca para três dias no Meco e espera 30 mil pessoas. Lana Del Rey já esgotou. Festa indie traz Migos, The 1975, Charlotte Gainsbourg, FKJ e Kaytranada
Em 1995, ano do 1.º Super Bock Super Rock em Lisboa, com Cure e Jesus & The Mary Chain, o F. C. Porto foi campeão com 11 pontos sobre o SLB, Guterres ganharia as eleições quebrando 10 anos de cavaquismo, e o festival indie nascia para ser o maior do país. Nesse ano, Paredes de Coura ainda brincava aos festivais na 3.ª divisão (Xana e Kick Out The Jams), o Alive só nasceria daí a 12 anos, o Primavera Porto daí a 17, e faltavam ainda dois anos para emergir o Alentejo alternativo e o Sudoeste.
Como um polvo com braços entre Algés, Alcântara, Parque Tejo, Expo e os anos síncronos Porto-Lisboa, o SBSR aterrou na Praia do Meco em 2010 e fez aí cinco gloriosas edições (Prince nesse ano, Arcade Fire, Tame Impala e Strokes depois, Lana Del Rey em 2012, Eddie Vedder em 2014), trocando o "Meco, sol e rock"n"roll" pelo betão do Parque das Nações de 2015 a 2018 - perdendo carisma, dominância e parte do público.
Agora, 19 anos depois da primeira vez, o Super Bock Super Rock regressa ao local onde foi incontestadamente mais feliz: o recinto relvado e solar da Herdade do Cabeço da Flauta, na aragem charmosa da praia do Meco.
Lana, que há sete anos esgotou o SBSR_com o seu microvestido branco e pôs o público a cantar em coro "Blue jeans" logo a abrir, é a artista ideal da revinda: o seu mundo é o dos suspiros e violinos derramados, as citações de Walt Whitman, as fantasias de JFK e aquele glamour de sorvete colorido híper romantizado. E torna a esgotar, Lana - é mesmo a primeira artista a consegui-lo nos festivais deste ano.
Lana canta com Cat Power
Depois da sua poética iconográfica de néon - dê-se já a novidade: Lana vai juntar-se a Cat Power em palco para o hit single "Woman", está combinado, sabe o JN -, o festival abre-se com um dos melhores cartazes indie do ano, capaz de arrancar suspiros aos fãs melómanos do Primavera Sound, desgostosos com "o novo normal" de 2019 que lhes impingiu J Balvin e o paganismo do reggaeton.
Com 11 horas consecutivas de música por dia, quatro palcos e alguns números noturnos sincrónicos (Conan Osiris sofrerá hoje a atuar à mesma hora da máquina eletro-pop ventosa dos The 1975), o SBSR, que volta ao Meco para ficar (ver promessa de Montez), ergue-se numa feliz fúria de géneros.
A fortíssima brigada francesa salta logo aos olhos: Phoenix (soft-pop), Christine & The Queens (art-pop), FKJ (french house, nu jazz) e o indie-pop de Charlotte Gainsbourg, que sendo londrina é filha de Serge, o maior ícone do cool francês.
Como um astuto mecanismo concêntrico, o SBSR corre em direção ao novo cosmos negro: Migos (hip hop trap), Janelle Monáe (psych soul), Kaytranada (r&b eletro), Masego (neossoul) e Jungle (modern soul).
Sobra a armada nacional, com 15 números: são três por dia no palco LG, mais Branko, Capitão Fausto, Conan, Conjunto Corona e os esplêndidos Glockenwise.
O bilhete de um dia custa 60€; o passe geral 110€. v
